Mais

    Presidente do Senado convoca reunião “extraordinária” após ministro do STF contrariar Congresso

    O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, reagiu com indignação à notícia de que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, resolveu atender a um pedido do governo Lula, decidindo suspender trechos da lei que prorrogou até 2027 a desoneração da folha de pagamentos de empresas e de municípios.

    A lei promulgada pelo Congresso no ano passado, na prática, permite que 17 setores da indústria tenham incentivos fiscais, substituindo a alíquota previdenciária de 20% sobre os salários por uma alíquota de 1% a 4,5% por cento sobre a receita bruta, algo que para muitos é fundamental para a manutenção dos empregos.

    Lula vetou a lei, mas o Congresso reagiu e derrubou o veto do presidente por ampla maioria. Agora, no entanto, a Advocacia-Geral da União, em nome do governo, enviou um pedido ao STF na última quarta-feira, para que a lei fosse suspensa, e Zanin, por sua vez, atendeu esse pedido, contrariando a decisão dos parlamentares.

    Diante disso, Pacheco emitiu uma nota dizendo que “o governo federal erra ao judicializar a política e impor suas próprias razões, num aparente terceiro turno de discussão sobre o tema da desoneração da folha de pagamento.”

    “Respeito a decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin e buscarei apontar os argumentos do Congresso Nacional ao STF pela via do devido processo legal. Mas também cuidarei das providências políticas que façam ser respeitada a opção do Parlamento pela manutenção de empregos e sobrevivência de pequenos e médios municípios”, continuou o senador.

    “Amanhã [hoje], no primeiro horário, me reunirei com a consultoria e a advocacia do Senado para tratar do tema. Uma reunião de líderes do Senado também será convocada extraordinariamente”, concluiu Pacheco.

    Quem também reagiu criticamente à decisão de Zanin foi o senador Angelo Coronel (PSD-BA), indicado para ser o relator do Orçamento de 2025 no Congresso, dizendo que foi foi “uma grande falta de respeito do governo para com o Congresso” ao mais uma vez judicializar algo que é de competência do Legislativo.

    “O Congresso votou essas matérias com apoio da ampla maioria dos parlamentares. O governo prega a paz e a harmonia e age com beligerância. Sem dúvidas poderá haver prejuízo grande com perspectiva de desemprego por parte dos 17 segmentos que mais empregam no Brasil”, comentou o senador, segundo o Correio Braziliense.

    Leia também:

    Mendonça e Fux dizem não conseguir acessar dados do celular de Vorcaro

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça...

    Cúpula do Exército critica STF por não avançar na investigação contra Moraes

    Integrantes da cúpula do Exército manifestam insatisfação com o...

    Posts da semana

    close
    ✕ FECHAR