O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) não estava lotado na manhã desta terça-feira (15/9), durante o julgamento do caso Moraes-Vorcaro. Não havia autoridades aparentes no local. O espaço reunia jornalistas, assessores, juristas e alguns curiosos.
Como esperado, o início da sessão foi marcado por bastante tensão. Enquanto Edson Fachin lia seu relatório, Alexandre de Moraes aparentava inquietação na cadeira. Ele balançava o assento, fazia anotações, lia papéis e mexia no celular. Já André Mendonça mostrava-se mais contido, ora lendo anotações, ora ouvindo Fachin.
Com a leitura do relatório, a tensão tornou-se ainda mais evidente quando Fachin elevou a voz com Flávio Dino, comportamento incomum para o presidente da Corte. O episódio ocorreu no momento em que Dino pediu uma parte na fala de Gilmar Mendes, mas o presidente do STF avaliou que ele não poderia falar naquele instante — como presidente da Corte, Fachin tentava controlar o fluxo das falas. Dino, por sua vez, argumentou que a solicitação estava amparada no regimento e na praxe do Supremo.
Passado esse momento, surgiu um episódio inesperado para o julgamento. Flávio Dino, por meio do decano, apresentou uma questão de ordem, questionando os atos de Fachin, que assumiu a condução do caso. Dino afirmou que Fachin havia avocado os casos para seu gabinete em um ato ditatorial.
Fachin, por sua vez, declarou que não praticou nenhum ato avocatório. Ele afirmou que não desrespeitou o princípio do juízo natural, pois o juízo natural desse julgamento, por se tratar de ministros do Supremo, é o plenário da Corte. Por essa razão, segundo ele, não se tornou relator dos casos, mas apenas conduz o julgamento do plenário.