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    Vídeo: visita de assessor de Trump a Bolsonaro, na prisão, acende alerta no PT

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na terça-feira (10) a realização de uma visita do assessor sênior do governo Donald Trump para assuntos relacionados ao Brasil, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como Papudinha, localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília .

    A decisão do magistrado, que é relator dos processos relacionados à suposta tentativa de golpe de Estado e à condenação de Bolsonaro, estabeleceu que o encontro ocorrerá no dia 18 de março, no período das 8h às 10h. Moraes também autorizou a presença de um tradutor durante a reunião, condicionando sua participação à identificação prévia junto às autoridades competentes .

    O pedido para a visita havia sido apresentado pela defesa do ex-presidente ainda nesta terça-feira, solicitando que o encontro fosse antecipado para os dias 16 ou 17 de março, períodos em que Beattie estará em viagem oficial ao Brasil.

    O ministro, no entanto, indeferiu esse pedido específico, argumentando não haver previsão legal ou circunstância excepcional que justificasse a alteração do cronograma ordinário de visitas da unidade prisional, que ocorre regularmente às quartas-feiras e sábados .

    Perfil do assessor e contexto diplomático

    Darren Beattie foi nomeado no final de fevereiro para uma posição de alto escalão no Departamento de Estado dos Estados Unidos, tornando-se responsável por propor e supervisionar as políticas e ações do governo americano em relação ao Brasil.

    Sua indicação já havia gerado desconforto no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dado o histórico de declarações públicas do assessor criticando duramente as instituições brasileiras .

    Em julho de 2025, Beattie provocou um incidente diplomático ao descrever, em publicação na rede social X, o ministro Alexandre de Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra Bolsonaro e seus apoiadores” . Na ocasião, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos Estados Unidos em Brasília para prestar esclarecimentos sobre os comentários .

    As tensões entre Washington e o STF se intensificaram ao longo de 2025. Em julho daquele ano, o governo Trump aplicou sanções econômicas contra Moraes com base na Lei Global Magnitsky, acusando-o de violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão.

    As medidas foram estendidas posteriormente a outros sete ministros da Corte, que tiveram seus vistos de entrada nos Estados Unidos cassados. Sanções também foram aplicadas contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e contra o Instituto Lex de Estudos Jurídicos, entidade ligada à família .

    As restrições foram suspensas em dezembro, quando Trump e Lula iniciaram movimento para aliviar as tensões diplomáticas e comerciais entre os dois países .

    Repercussão e contexto político

    A autorização da visita ocorre em meio à consolidação do cenário sucessório no campo da direita brasileira, o que fez acender um alerta no governo petista, segundo a CNN Brasil. Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão desde novembro, após ser condenado por sua participação na trama para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022 .

    Apesar de continuar sendo a principal figura da direita no país, sua situação legal acelerou a busca por um sucessor eleitoral dentro de seu grupo político. Nesse contexto, a imprensa brasileira e internacional tem apontado a ascensão de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como possível candidato da direita nas eleições presidenciais marcadas para outubro .

    Após o anúncio das sanções contra Moraes em julho, Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente e deputado federal, agradeceu publicamente a Beattie por seus esforços . Eduardo chegou a se reunir com o assessor nos Estados Unidos para solicitar medidas adicionais contra o Brasil, conforme relatos da imprensa .

    A visita de Beattie, agora autorizada, abre mais uma frente sensível para o governo brasileiro, ao evidenciar os vínculos entre o entorno de Bolsonaro e figuras influentes no círculo próximo de Trump, em um momento em que Brasília busca estabilizar as relações com Washington sem reabrir o confronto institucional que marcou boa parte de 2025. Assista:

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