Mais

    Moraes rejeita prisão domiciliar para mãe de 7 filhos, condenada a 14 anos de detenção

    A defesa da jornalista, cantora e mãe de sete filhos, Gisele Alves Guedes de Morais, 38 anos, manifesta profunda surpresa e inconformismo com a decisão do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou o pedido de prisão domiciliar da custodiada.

    Condenada a 14 anos de prisão em regime fechado por suposta participação nos eventos de 8 de janeiro – condenação que a defesa contesta pela alegada falta de provas robustas e individualização de conduta, além da considerada desproporcionalidade da pena –, Gisele tem sua situação agravada por questões humanitárias e legais.

    A defesa destaca que três dos filhos de Gisele são menores de 12 anos, incluindo um bebê de colo de apenas 1 ano. Argumenta que a manutenção da prisão convencional desrespeita frontalmente dispositivos legais que garantem tratamento diferenciado a mães de crianças pequenas, como a Constituição Federal, o artigo 318-A do Código de Processo Penal, o artigo 117 da Lei de Execução Penal e o artigo 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essas normas visam preservar o vínculo familiar e priorizar o melhor interesse da criança.

    Agravando o quadro, a defesa ressalta a condição de saúde de Gisele, portadora de enfisema pulmonar, comorbidade que a debilita significativamente e que, associada à maternidade de crianças tenras, deveria fundamentar a concessão da prisão domiciliar. Aplicam-se ainda, conforme sustentam os advogados, tratados internacionais ratificados pelo Brasil, como a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) e as Regras de Bangkok da ONU, que reforçam a necessidade de medidas alternativas à prisão nesses casos.

    A decisão do ministro causa ainda maior estranheza à defesa ao contrastar com precedentes recentes do próprio STF. Citam o caso da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, que obteve prisão domiciliar após condenação por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, mesmo tendo filhos em idade semelhante aos de Gisele. Essa discrepância, segundo a defesa, evidencia tratamento desigual.

    Diante do exposto, a defesa informa já ter interposto recurso contra a decisão e reafirma seu compromisso inabalável em buscar justiça, liberdade e o respeito à dignidade de Gisele Alves Guedes, sublinhando que sua situação exige não apenas estrita atenção legal, mas também sensibilidade humana e a devida aplicação das garantias constitucionais e internacionais que protegem a família.

    Leia também:

    Mendonça e Fux dizem não conseguir acessar dados do celular de Vorcaro

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça...

    Cúpula do Exército critica STF por não avançar na investigação contra Moraes

    Integrantes da cúpula do Exército manifestam insatisfação com o...

    Posts da semana