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    Brasil só tem munição para 30 dias de guerra, alerta ministro da Defesa: “Isso é grave”

    Em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo, o jornalista Marcelo Godoy traça um retrato do que considera a singularidade brasileira diante da segurança nacional: em nenhum outro lugar o ministro da Defesa afirma que a Nação está indefesa sem que uma tempestade política se desencadeie no Parlamento.

    No entanto, foi exatamente o que fez José Múcio Monteiro, em evento fechado com empresários promovido pela Seta, sem que houvesse qualquer comoção.

    Godoy compara a situação de Múcio à do major Giovanni Drogo, personagem do romance “O Deserto dos Tártaros”, de Dino Buzzati, que passa a vida na Fortaleza Bastiani aguardando um inimigo que nunca chega.

    As ameaças, porém, agora começam a surgir — vindas do norte. Primeiro, na fronteira com a Venezuela; depois, deslocaram-se ainda mais ao norte e, desde que Donald Trump assumiu o poder, manifestam-se no céu e no mar.

    Congelamento de R$ 4,4 Bilhões e o Paradoxo da Defesa

    No dia seguinte ao desabafo de Múcio, o governo americano incluiu o PCC e o Comando Vermelho em sua lista de organizações terroristas. A reação do governo do pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva foi, nas palavras de Godoy, congelar R$ 4,4 bilhões em gastos militares — o maior corte entre todos os ministérios.

    “Não pode continuar desse jeito. Nossa munição é para 30 dias. Não temos munição para brigar com eles aí. Isso é grave, e a sociedade precisa saber”, disse Múcio aos empresários. “Se alguém nos invadir, a melhor maneira de se defender é abrir a porta.” Para o ministro, falta ao país previsibilidade orçamentária. “Nenhum presidente tem a coragem de dizer: ‘Eu vou tirar dinheiro daqui e colocar em defesa’.”

    Silêncio dos Pré-candidatos e a Sinalização a Militares

    Godoy observa que, além de bajular Trump, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem uma única preocupação: “fingir ser normal receber milhões de um banqueiro responsável pela maior fraude da história do país e mandar esses recursos a um fundo no exterior”. Os demais pré-candidatos, segundo o colunista, quase sempre tratam apenas da segurança pública, ignorando o debate sobre defesa nacional.

    Ainda segundo Godoy, Lula sabia que o bloqueio de verbas contrariaria os militares. Por isso, a direção da pasta dos Direitos Humanos esteve ausente da cerimônia da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos que, por seis votos a um, atribuiu ao regime militar a responsabilidade pela morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

    O evento foi rápido, quase sem divulgação, e ocorreu na sexta-feira do bloqueio. “Tudo para não afrontar ainda mais os militares”, conclui o colunista. Marcelo Godoy encerra sua análise com a frase de Múcio: “Se alguém nos invadir, a melhor maneira de se defender é abrir a porta.” O alerta, segundo o colunista, ecoa diante do silêncio generalizado.

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