Mais

    Flávio apresenta plano nacional de segurança com presídios inspirados em El Salvador

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, divulgou nesta quinta-feira (18), em São Paulo, um pacote com 12 propostas voltadas à segurança pública, batizado de plano “Brasil Sem Medo”. As medidas visam o combate a facções criminosas e a redução da violência contra a mulher.

    Entre as principais ações defendidas pelo senador estão:

    • a construção de cinco novas prisões federais de segurança máxima, dobrando o número atual de unidades para dez, com a criação de um sistema batizado de TREVA, cujo nome, segundo o documento, tem a intenção de “botar medo no bandido”;

    • a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, nos moldes da recente decisão adotada pelo governo dos Estados Unidos;

    • a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, com possibilidade de punição para adolescentes a partir de 14 anos em casos de crimes graves, como estupro, tráfico de drogas e homicídio;

    • o fim da progressão de pena para crimes hediondos;

    • a castração química para homens que cometam abusos contra mulheres e crianças;

    • o monitoramento, por meio de tornozeleira eletrônica, de homens sujeitos a medidas protetivas por agressão ou ameaça a mulheres;

    • a implantação de um sistema nacional de reconhecimento facial, inspirado nos programas SmartSampa, da Prefeitura de São Paulo, e Muralha Paulista, do governo estadual.

    O senador afirmou que as propostas apresentadas nesta quinta serão prioridade caso seja eleito, e que o plano de governo poderá incluir medidas adicionais. A segurança pública tem sido um tema recorrente em seus discursos, e nas últimas semanas ele passou a defender publicamente a castração química para estupradores.

    Durante o evento, Flávio também defendeu o uso de armamentos pesados no combate a facções e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo ele, ter recusado colaboração com o governo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

    “Quem vai voltar a mandar no Brasil será a lei. Nós temos um presidente que acabou de perder uma grande oportunidade de fazer parceria com outros países. Só tem como combater essas organizações com parceria com outros países, e no Brasil o Lula não faz porque não tem coragem, porque é incompetente ou porque é cúmplice dessas organizações”, disse o senador.

    Presídios inspirados em El Salvador e ampliação do sistema prisional

    O plano prevê, além das novas unidades federais, a criação de “meio milhão de novas vagas no sistema prisional em quatro anos”, em parceria com os governos estaduais, e o objetivo de “zerar o déficit carcerário”. O documento cita como referência o modelo adotado em El Salvador, com detenções em massa.

    O senador afirmou que é necessário endurecer as regras dentro dos presídios. “Infelizmente, prisão não é lugar de ressocializar ninguém. Prisão é lugar de punição, e nós vamos recuperar os territórios brasileiros que hoje são dominados por narcoterroristas, começando pelas cadeias.”

    O modelo salvadorenho, mencionado como exemplo, tem como principal estratégia a construção de megapresídios para integrantes de gangues. O Centro de Confinamiento del Terrorismo (CECOT), inaugurado em 2023, tem capacidade para 40 mil pessoas e é considerado um dos maiores da América Latina. O governo de Nayib Bukele atribui a queda nos índices de homicídio a essa política, enquanto organizações de direitos humanos criticam as detenções em massa e apontam violações sistemáticas a direitos fundamentais.

    Outras medidas e críticas a Lula

    Entre as demais propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro estão: o envio de mais militares para fronteiras e portos no combate ao tráfico internacional de drogas; o pagamento de auxílio a famílias de vítimas de crimes; e o aumento de penas para roubo, furto e venda de celulares roubados.

    Ao longo de sua fala, o senador também criticou Lula e fez referência à operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta, que tem entre seus alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e aliado do presidente.

    “Como eu disse há pouco, esse plano aqui é uma péssima notícia para o PCC, para o Comando Vermelho e para o PT, que hoje está tendo um dia pior ainda, porque o PT da Bahia acaba de ser incluído pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado, Jaques Wagner”, afirmou.

    Leia também:

    Mendonça e Fux dizem não conseguir acessar dados do celular de Vorcaro

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça...

    Cúpula do Exército critica STF por não avançar na investigação contra Moraes

    Integrantes da cúpula do Exército manifestam insatisfação com o...

    Posts da semana

    close
    ✕ FECHAR