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    Terrorismo: PCC e CV se infiltraram no sistema financeiro até com rede de 60 motéis

    Uma rede de 60 motéis no interior de São Paulo, um iate de 23 metros, um helicóptero, uma Lamborghini e cerca de 20 milhões de reais em terrenos. Esses são alguns dos bens adquiridos por um grupo que, na verdade, operava como braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O faturamento da rede hoteleira foi de 450 milhões de reais em quatro anos, com distribuição de 45 milhões de reais em lucros aos sócios, conforme investigações policiais.

    O caso integra um fenômeno mais amplo: a infiltração do crime organizado na economia legal brasileira. O PCC e o Comando Vermelho (CV) vêm diversificando suas atividades em setores formais — como franquias, imóveis e portos — sem abandonar o tráfico de drogas.

    Outra investigação mostrou que empresas ligadas à facção passaram a controlar um dos terminais do porto de Paranaguá (Paraná), um dos maiores do país, com 85 mil metros quadrados e 18 tanques para armazenagem de granéis líquidos.

    Prejuízo à Indústria e Reflexos da Classificação como Terroristas

    Levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.398 empresas de 32 segmentos estimou uma perda anual de receita de 39 bilhões de reais (0,6% das vendas da indústria e atividades extrativas) para o crime organizado.

    Na semana passada, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que deve elevar os custos de compliance para empresas brasileiras e pode afetar negócios e investimentos.

    Mario Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, afirmou que a classificação permite aos Estados Unidos criar barreiras à instalação de empresas brasileiras em território americano, ao comércio exterior e até ao turismo.

    No limite, fintechs que tenham sido usadas pelo crime organizado, mesmo sem relação direta, podem ser sancionadas. “O setor financeiro terá que redobrar sua atenção, o que significa aumento de custo para qualquer um, de simples correntistas a bancos com exposição aos Estados Unidos”, disse.

    Setores Atingidos e Movimentações Suspeitas

    O pesquisador Roberto Uchôa, da Universidade de Coimbra, afirmou que empresas estrangeiras que negociam com companhias brasileiras terão de redobrar os mecanismos de conformidade para não serem alvo de sanções.

    A infiltração das facções já foi identificada nos setores de combustíveis, construção, transporte público, bebidas, cigarros, mineração, imobiliário, apostas, hotelaria, varejo, pecuária, atividades financeiras e até no agronegócio — onde roubos de cargas de fertilizantes alimentam um mercado ilícito de produtos adulterados.

    Nos últimos três meses, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) comunicou 44,1 bilhões de reais em movimentações suspeitas de facções criminosas apenas no Rio de Janeiro — valor suficiente para pagar o Bolsa Família no período.

    O Ministério Público de São Paulo estima que a receita anual do PCC em setores econômicos pode chegar a 12 bilhões de reais. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva refuta a classificação como terrorismo, argumentando que as facções atuam por lucro, não por ideologia. As informações são do portal O Globo.

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