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    Ministra do STF recebeu “vidro de perfume cheio de ácido”, revela jornalista

    A jornalista Daniela Lima revelou, em entrevista ao Flow Podcast na última semana, detalhes sobre o ambiente de hostilidade extrema enfrentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos, que forçou a Corte a estruturar uma secretaria de segurança interna para proteger seus ministros.

    De acordo com a jornalista, o órgão, que antes se limitava a funções burocráticas como a confecção de crachás, passou a contar com um delegado — levado pelo ministro Luiz Fux — e uma equipe de cerca de 80 agentes, dispondo até de uma sala especializada para implodir artefatos suspeitos .

    A medida extrema foi motivada por ameaças concretas e crescentes. Daniela citou um episódio emblemático em que foi enviado à residência de uma ministra da Corte um vidro de perfume, entregue como presente, que na verdade continha ácido. A jornalista referiu-se à destinatária como “a ministra que saiu”, uma possível alusão a Rosa Weber, que presidiu o STF durante os atos de 8 de janeiro de 2023 e se aposentou em setembro daquele ano .

    Segundo a jornalista, o período de radicalização ideológica transformou a vida dos magistrados e seus familiares em “um inferno”. “Envio de cocô, para falar o português claro, é bobagem. Chegaram a enviar um vidro de perfume cheio de ácido para uma ministra”, afirmou.

    Esse contexto de ameaças, que inclui e-mails, publicações em redes sociais, a tentativa de invasão das dependências do tribunal e até um atentado a bomba em novembro de 2024, levou os ministros a se fecharem institucionalmente .

    O Preço do Isolamento e o Caso Master

    Daniela avaliou que essa blindagem teve um efeito colateral negativo: a comunicação pública restrita da Corte. “É como se [dissessem] ‘o histórico fala por mim’, ‘os votos falam por mim’. E, na real, não é”, criticou, durante a entrevista em que também comentava o escândalo envolvendo o Banco Master e as relações de seus controladores com membros do Judiciário .

    A jornalista classificou a atuação do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, como “sui generis”, destacando que, embora o Brasil já tenha visto banqueiros que levaram instituições à falência, nunca antes um caso expôs de forma tão explícita as relações da República.

    “E não basta a mulher de César ser honesta: ela tem que parecer honesta”, completou, em crítica à demora de alguns ministros em prestar esclarecimentos sobre suas conexões com o grupo investigado .

    O reforço na segurança do STF não é apenas uma impressão. Em abril de 2025, o governo federal editou a Medida Provisória 1297/25, liberando R$ 27,4 milhões extras para proteger o prédio da Corte, seus ministros e funcionários, em resposta direta aos atentados iminentes e ao aumento de ameaças.

    A própria Corte já justificou oficialmente a necessidade de proteção, afirmando que os ministros são “alvos recorrentes de ameaças” e citando episódios como o 8 de janeiro e o atentado a bomba de 2024 como evidências desse cenário.

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