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    Força Aérea impõe sigilo em custos de voo que levou Gilmar ao ‘Gilmarpalooza‘

    Um voo realizado por uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), solicitado pelo presidente da Câmara dos Deputados, teve seus dados financeiros e a lista de passageiros classificados como informações “reservadas” pelo Comando da Aeronáutica. A decisão restringe o acesso público aos dados por um período de até cinco anos.

    A aeronave partiu de Brasília no dia 5 de novembro, transportando dez passageiros. Conforme noticiado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a Aeronáutica não divulgou a relação nominal dos ocupantes, procedimento que havia sido adotado em ocasiões anteriores. A justificativa apresentada pelo órgão foi de que o voo foi autorizado por “motivos de segurança”.

    A classificação “reservado” é o nível mais brando de sigilo previsto na legislação, aplicável a documentos cuja divulgação possa, em tese, causar dano à segurança da sociedade ou do Estado. Com base nela, a FAB negou um pedido de acesso, formulado via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo repórter Rafael Moraes Moura, que solicitava a divulgação dos custos operacionais, como despesas com combustível e pagamento da tripulação.

    Contradição entre Instituições

    Ao ser questionada sobre a responsabilidade pela guarda da lista de passageiros, a Aeronáutica afirmou, em resposta à LAI, que “compete à autoridade solicitante manter o registro daqueles que acompanharam a autoridade na viagem”. No entanto, a assessoria da Câmara dos Deputados apresentou versão oposta, informando que esse registro é de custódia do próprio Comando da Aeronáutica.

    Recurso Negado com Base em Precedente

    O pleito pela divulgação dos gastos foi objeto de recurso administrativo, com base em um precedente recente. Em julho, a Aeronáutica havia divulgado os custos com tripulação de outro voo da FAB, também solicitado pelo presidente da Câmara, classificando como “reservadas” apenas as despesas com combustível. Na decisão sobre o caso atual, no entanto, a FAB rejeitou o recurso, argumentando que “não houve negativa de acesso à informação” – uma interpretação que, segundo especialistas, ignora a possibilidade de recorrer contra respostas consideradas insatisfatórias ou omissas.

    O episódio ilustra um conflito entre a transparência na gestão de recursos públicos e as prerrogativas de segurança invocadas pelas Forças Armadas no uso de aeronaves oficiais.

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