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    Ex-ministra do STF rechaça narrativa do 8 de janeiro e critica o STF: ‘Atuam numa bolha e com o ego inflado’

    Em entrevista concedida à Revista Oeste, por meio do programa Arena Oeste, na quinta-feira, 23 de maio, a jurista e ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, apresentou sua avaliação sobre os eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

    Sobre as invasões a prédios públicos, Calmon declarou: “O 8 de janeiro foi uma forma de conseguir colocar para a nação a finalização de uma narrativa, que levaria a tirar Bolsonaro das eleições de 2026”. A jurista questionou a caracterização dos atos como uma tentativa de golpe de Estado, argumentando: “Eu não posso aceitar que o dia 8 de janeiro era um dia de golpe final, com mulheres de 73 anos, com vendedor de picolé e de bandeira”.

    Em suas declarações, Eliana Calmon citou uma sequência de ações do então presidente Jair Bolsonaro após a eleição de 2022. “Ele fez tudo isso, foi para os Estados Unidos e tentou dar golpe? Sem soldado?”, questionou. E acrescentou: “Não é crível, não há dinâmica. Podem ter pensado em golpe? Podem. E isso tudo pode ter incendiado o ex-presidente e as pessoas em volta. Em Direito, pensamento não é crime”.

    A ex-ministra também dirigiu críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sobre a Corte, afirmou que o controle do Judiciário está concentrado em onze ministros que, em sua avaliação, operam “numa bolha e com o ego inflado”.

    “Não vejo a possibilidade de os ministros do STF admitirem que erraram”, disse. Eliana Calmon defendeu a transformação do STF em um tribunal exclusivamente constitucional, posicionando que a função recursal atual o transforma em um “tribunal político”.

    Sobre a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a jurista afirmou que nunca havia visto “os advogados terem tanto receio, nem na época da ditadura e dos militares”. Ela avaliou que a entidade “quebrou-se em função do sistema que é visto hoje no Brasil, e a Ordem dos Advogados virou quase que um partido político, ao lado do sistema. Eles não defendem os advogados, as instituições e a Constituição”.

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