Mais

    Lira instala Comissão para PL que pode tratar depredação e invasão como terrorismo

    O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), instalou nesta terça-feira (29) uma Comissão Especial para analisar o Projeto de Lei (PL) nº 1595/2019, apresentado em 2016 pelo então deputado Jair Bolsonaro, mas que estava engavetado no Congresso desde 2019.

    A proposta altera duas leis sobre antiterrorismo, de 2001 e 1999, e amplia a chamada Lei Antiterrorismo, de nº 13.260, de 2016, de modo que depredações públicas e invasões de terra, salvo proporções, podem ser tipificados como crimes de terrorismo contra o interesse nacional.

    Isso porque, segundo o PL, ato terrorista passaria a ser apontado como aquele ”que seja perigoso para a vida humana ou potencialmente destrutivo em relação a alguma infraestrutura crítica, serviço público essencial ou recurso-chave e que aparente ter a intenção de intimidar ou coagir a população civil ou de afetar a definição de políticas públicas por meio de intimidação, coerção, destruição em massa, assassinatos, sequestros ou qualquer outra forma de violência”.

    No seu Art.4°, o PL define recurso-chave como “o bem ou o sistema garantidor da sobrevivência do ser humano ou de seu bem-estar”, o que subentende-se ser, também, a propriedade privada e outros bens.

    No mesmo artigo, define-se a infraestrutura crítica como “a estrutura física, construída pela ação humana, cuja destruição ou neutralização traria impactos significativamente negativos em um ou mais dos seguintes aspectos: político, econômico, social, ambiental ou internacional”.

    “[No Brasil] não estamos livres [do terrorismo], porque movimentos sociais também praticam atos de terror, de maneira às vezes indiscriminada ou até mesmo às vezes de maneira seletiva, quando fazem invasões e depredações”, explicou o deputado federal General Girão (PSL-RN), membro da comissão.

    “Isso é aterrorizar as pessoas. É exatamente isso que a gente precisa, com esse projeto de lei, discutirmos e levarmos adiante porque o Brasil precisa ser mais rígido. Nossa Bandeira chama as duas palavras, ordem e progresso, então se nós queremos ter isso daí, temos que combater qualquer tipo de violência terrorista, quer seja urbana ou rural”, completou.

    Críticos da proposta, no entanto, argumentam que o PL visa coibir manifestações contrárias ao governo, tais como a de movimentos sociais, o que em tese prejudicaria a liberdade democrática no país.

    “O deputado falou, dando a entender, do movimento sem-teto, seis milhões de pessoas que não tem onde dormir, não tem casa. Num país que tem mais imóveis desocupados do que pessoas sem casa. Na verdade, o que nós temos aqui é um projeto eivado de vícios, uma lista imensa de enormes projetos que tem como intuito criminalizar os movimentos sociais, as lideranças, as bases, as organizações da sociedade civil”, disse a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) ao rebater a fala de Girão, segundo o UOL.

    Leia também:

    Mendonça e Fux dizem não conseguir acessar dados do celular de Vorcaro

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça...

    Cúpula do Exército critica STF por não avançar na investigação contra Moraes

    Integrantes da cúpula do Exército manifestam insatisfação com o...

    Posts da semana