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    Após renúncia de Deltan, Gilmar Mendes alfineta: “Propósito claro e político”

    A notícia de que o ex-coordenador nacional da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, denunciou ao seu posto de procurador da República para possivelmente ingressar na carreira política, a exemplo do ex-juiz Sérgio Moro, vem confirmando o que críticos da força-tarefa responsável pela condenação do ex-presidente Lula já haviam previsto.

    A previsão, segundo analistas, foi de que o trabalho realizado pela Lava Jato seria ainda mais enfraquecido e criticado, visto que a eventual entrada de Dallagnol na política reforçará a principal linha de argumento da defesa de Lula, que é a da politização das investigações.

    E quem já tratou de se manifestar de acordo com essa perspectiva foi o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um dos principais críticos da Lava Jato desde 2018. O magistrado usou a sua rede social nesta sexta-feira para alfinetar Dallagnol e voltar a acusar o trabalho da Lava Jato de politização.

    “Alerto há alguns anos para a politização da persecução penal. A seletividade, os métodos de investigações e vazamentos: tudo convergia para um propósito claro – e político, como hoje se revela. Demonizou-se o poder para apoderar-se dele. A receita estava pronta”, afirmou Gilmar.

    Dallagnol, por sua vez, conforme noticiado pela Tribuna de Brasília na quinta-feira, justificou a sua renúncia ao Ministério Público afirmando que poderá atuar mais pelo Brasil fora da corporação. “Minha vontade é fazer mais, fazer melhor e fazer diferente diante do desmonte do combate à corrupção que está acontecendo”, afirmou.

    Dallagnol, por sua vez, não confirmou se realmente entrará para a política, nem mesmo através de qual partido. Todavia, suas palavras em tom político e de perspectiva futura, indicam claramente essa possiblidade.

    Entre os apoiadores da Lava Jato, a reação também não foi muito positiva. Nas redes sociais, alguns “lavajatistas” enxergaram a decisão do ex-procurador como algo negativo para a credibilidade do combate à corrupção feito pela força-tarefa ao longo dos anos, entre 2014 e 2020.

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