O ministro André Mendonça solicitou a investigação do colega Alexandre de Moraes por abuso de autoridade e denunciação caluniosa. O magistrado encaminhou a manifestação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, na segunda-feira, 21. O texto aponta a prática de “arapongagem institucional” da Polícia Federal (PF) para vigiar a rotina pessoal e religiosa do relator e do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Mendonça exigiu o arquivamento sumário da representação movida por Moraes no Inquérito das Fake News. A resposta argumenta que a acusação utiliza métodos ilegais fundamentados em relatórios apócrifos e sem valor probatório. O magistrado sugeriu que o condutor das investigações deveria se tornar o verdadeiro alvo da apuração policial.
Celular de banqueiro e delações
Moraes atacou o colega de tribunal com acusações sobre mensagens trocadas com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mendonça rebateu os pontos da denúncia, descartou irregularidades em relatórios e negou violações na cadeia de custódia do celular do empresário. O disco rígido enviado ao gabinete permaneceu com o lacre da PF intacto.
O documento desmente qualquer interferência em acordos de colaboração premiada. Mendonça explicou que os nomes do senador Davi Alcolumbre e de Alexandre de Moraes surgiram em relatórios de inteligência da própria corporação. Os despachos judiciais serviram apenas para organizar o andamento do processo.
O relator cobrou acesso total aos autos do inquérito principal. A petição exige a apuração sobre a autoria dos relatórios produzidos pela PF. Mendonça pediu a proibição formal de novos levantamentos focados em escrutinar os atos de integrantes da Corte.