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    Flávio comenta pedido de recuperação judicial e dívidas do Habib’s: “Efeito Lula”

    O Grupo Gennius — proprietário das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill — teve seu pedido de recuperação judicial aprovado pela Justiça, conforme comunicado oficial divulgado pela rede nesta quarta-feira (26). A decisão foi proferida na última segunda-feira (24) pelo juiz Jomas Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

    A dívida total informada pela empresa é de R$ 265.207.959,83, distribuída em três classes:

    • Dívidas trabalhistas: R$ 22.328.024,74

    • Créditos quirografários (com privilégio especial, geral ou subordinados): R$ 241.732.066,68

    • Créditos de microempresas ou empresas de pequeno porte: R$ 1.147.868,41

    Ao deferir o pedido, o magistrado determinou a suspensão da execução de contratos, autorizando “o fornecimento de insumos ou serviços essenciais à manutenção da atividade empresarial”. A consultoria KPMG foi nomeada administradora judicial, com prazo de 15 dias para apresentar parecer sobre a situação das empresas.

    O juiz também determinou que as devedoras apresentem contas demonstrativas mensais durante todo o período de recuperação, sob pena de destituição de seus administradores. O plano de recuperação judicial deve ser apresentado em até 60 dias, prazo improrrogável — caso contrário, o grupo poderá ser levado à falência.

    Estrutura do grupo e abrangência do pedido

    O grupo opera por meio de 178 CNPJs, todos incluídos no processo. A estrutura sob recuperação abrange:

    • 10 franqueadoras e holdings de participação;

    • 17 sociedades operacionais (call center, apoio a franqueados, patrimoniais, master franqueadores e indústrias);

    • 6 churrascarias Tendal;

    • 119 lojas do Habib’s;

    • 26 lojas do Ragazzo.

    O pedido também inclui duas propriedades rurais que fornecem insumos para as operações do grupo.

    Interdependência e consolidação substancial

    A defesa do grupo argumentou que toda a estrutura empresarial é interligada e interdependente, com avais e garantias cruzadas entre as empresas. “A dívida de cada uma das recuperandas é, em grande parte, dívida das demais”, afirma o processo, que pede o tratamento unificado do endividamento por meio do “litisconsórcio ativo unitário sob consolidação substancial” — modalidade em que empresas de um mesmo grupo econômico entram juntas com o pedido, misturam seus bens e dívidas e compartilham o mesmo destino jurídico.

    Tutela cautelar e necessidade de reestruturação global

    Antes do pedido formal de recuperação, o grupo já havia solicitado tutelas cautelares de urgência para suspender cobranças e execuções. Segundo os advogados, o prazo de 60 dias de proteção patrimonial ajudou a criar “um ambiente de negociações entre as requerentes e seus credores”. No entanto, o período não foi suficiente, o que levou o grupo a buscar a recuperação judicial como “meio mais eficiente” para promover uma reestruturação global do passivo.


    Flávio Bolsonaro culpa governo Lula pela crise do Habib’s

    O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), comentou a crise do Grupo Gennius em suas redes sociais, atribuindo o problema à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    “A fila da recuperação judicial não para de crescer no Brasil. A gente abre o jornal todo dia angustiado para ver quem ou qual empresa se tornou a vítima mais recente do Efeito Lula na economia. Infelizmente, a vítima da vez é a rede de fast-food Habib’s. Isso não é azar do mercado, é culpa do Lula. Precisamos virar essa página. Vote 22”, escreveu.

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