Apesar de estar inelegível, o empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) segue ativo na corrida presidencial de 2026 e tenta se firmar como um dos protagonistas da disputa. Em entrevista ao canal Brasil Paralelo no YouTube, ele afirmou que a eleição tem, de fato, apenas três candidatos competitivos: ele próprio, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração surge num momento em que a campanha começa a se intensificar e Marçal transforma sua própria situação jurídica em trunfo político.
Embora ciente da inelegibilidade, Marçal declarou que seu principal objetivo é impedir que Lula vença já no primeiro turno. “Ele quer ganhar no primeiro turno. Te contar o que significa isso. Ele amarrou todo mundo que queria ser candidato, deu lugar para cada um e falou: ‘vou sozinho, eu arrebento o Flávio e ganho no primeiro turno’. É isso que tá desenhando. Só que esse negócio de entrar de última hora vai ser um BO. Eu vou tirar voto do Lula, eu vou tirar voto de um monte de gente e ele não vai vencer no primeiro turno”, afirmou.
Registro e estratégia eleitoral
Apesar da inelegibilidade, Marçal pode solicitar o registro de sua candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e fazer campanha enquanto aguarda o julgamento. Ele foi alvo de três condenações durante a campanha à prefeitura de São Paulo em 2024, que o tornaram inelegível por oito anos.
Sobre Flávio Bolsonaro, Marçal adotou tom conciliatório. Disse que já avisou o senador sobre sua candidatura e garantiu: “Você não terá problema comigo.” Afirmou ainda que não pretende atuar como “escudo” de nenhum outro nome da direita. A aproximação, porém, não é nova: Marçal já teve relação com integrantes do entorno de Flávio, e aliados do senador avaliavam que o influenciador poderia ampliar o alcance da campanha bolsonarista nas redes.
A postura mais amigável não se estende a outros concorrentes da direita. Marçal tem criticado Renan Santos (Missão), com quem disputa o eleitorado conservador e o espaço entre influenciadores digitais. Renan, por sua vez, já afirmou que a entrada de Marçal na corrida poderia beneficiar Flávio, atuando como uma espécie de linha auxiliar do senador.
Críticas a Zema e Caiado
Marçal também chamou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) de oportunista por ter criticado Flávio Bolsonaro após a revelação de que o senador pediu R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro.
“O Zema acabou com a eleição dele no dia em que ele [criticou o Flávio]. Não sei quem ele ouviu, até liguei para ele, eu falei: ‘irmão, você mandou mal demais. Você não podia ter falado do Flávio no momento que ele tá sendo atacado. Não tô defendendo o Flávio, mas você pareceu um oportunista'”, contou.
Já em relação ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Marçal disse respeitá-lo e até gostaria de vê-lo como ministro da Justiça, mas criticou sua aliança com Gilberto Kassab. “O Caiado, ele é competitivo. Só o problema é que ele arrumou uma babá. O povo não é bobo. O povo vê que o Kassab é a babá do Caiado”, afirmou.
Situação jurídica ainda indefinida
O principal obstáculo para Marçal, no entanto, segue sendo a questão jurídica. Embora tenha conseguido liminar que permitiu sua filiação ao PRTB e o registro provisório da candidatura, ele permanece alcançado por decisões de inelegibilidade decorrentes das condenações eleitorais. O caso ainda será analisado pela Justiça Eleitoral, e há avaliação de que a liminar não resolve definitivamente o impedimento para a disputa presidencial.