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    Ex-comandante da FAB diz que Brasil está vulnerável em caso de guerra: “Luz vermelha”

    O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, que comandou a Força Aérea Brasileira (FAB) até o final do governo anterior, fez um alerta contundente sobre a situação da defesa nacional. Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo e publicada nesta segunda-feira (16), o militar afirmou que o Brasil vive uma “deterioração gradual” de sua capacidade militar, acendendo o que classificou como uma “luz vermelha” diante das transformações no cenário geopolítico mundial.

    Para Baptista Júnior, o problema vai além da questão orçamentária, embora reconheça a necessidade de recursos. As Forças Armadas apresentaram ao governo um plano que prevê investimentos da ordem de R$ 800 bilhões até 2040. No entanto, ele argumenta que o país precisa, antes de tudo, de uma profunda reestruturação institucional. “Nossa capacidade militar está incompatível com o bem maior que deve proteger: o Brasil”, declarou.

    Proposta de Comando Unificado e o Novo Cenário Global

    O ex-comandante defende a criação de um comando unificado permanente, nos moldes da reforma adotada pelos Estados Unidos em 1986. Na visão dele, a Marinha, o Exército e a Aeronáutica deveriam ser subordinados a um Estado-Maior Conjunto com precedência hierárquica, superando a estrutura herdada do período anterior à criação do Ministério da Defesa, em 1999. “Arrisco dizer que, em muitos aspectos, as forças individualmente têm mais poder do que o próprio Ministério da Defesa”, criticou.

    O alerta de Baptista Júnior é motivado por mudanças na dinâmica internacional. Ele citou a guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e, de forma destacada, a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como fatores que exigem atenção da América Latina.

    O militar mencionou a nova estratégia de segurança americana e a operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro, como exemplos de que “a guerra é a continuação da política por outros meios”.

    Missão das Forças e o Perigo do Desvio de Função

    O brigadeiro também expressou preocupação com a crescente pressão para que as Forças Armadas atuem no combate direto ao crime organizado. Embora reconheça a gravidade do narcotráfico, ele considera inadequado transformar militares em forças policiais. “A missão das Forças Armadas é a defesa da Pátria. Colocá-las em níveis mais baixos do combate ao narcotráfico pode trazer problemas de corrupção e perda de foco”, advertiu.

    O Papel no Processo do Golpe e a Quebra da Unidade

    Baptista Júnior comentou sua atuação como testemunha no processo no Supremo Tribunal Federal (STF) que investigou a tentativa de golpe após as eleições de 2022, resultando na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros militares. Ele afirmou que sempre defendeu a legalidade e que o aspecto mais grave do período foi a tentativa de fraturar a coesão entre as três Forças.

    “O que mais me preocupou foi a tentativa de quebrar a unidade de pensamento das três Forças. Isso é muito sério para qualquer instituição militar”, afirmou, mencionando especificamente a postura do almirante Almir Garnier, condenado a 24 anos de prisão.

    Visão para 2026: Fora da Polarização

    Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, o ex-comandante da FAB declarou que pretende votar em um candidato de direita, mas rejeita tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para ele, o Brasil precisa encontrar alternativas fora da polarização atual.

    “Precisamos sair desses dois populismos. O Brasil tem outros nomes capazes de liderar o país”, disse, citando como possibilidades os governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO), Ratinho Júnior (PSD-PR), Eduardo Leite (PSD-RS) e Romeu Zema (Novo-MG). Em relação a Flávio Bolsonaro, ele o considerou “ponderado”, mas avaliou que o senador não estaria preparado para a Presidência.

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