O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, planeja anunciar nos próximos dias a designação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A informação foi divulgada neste domingo, 8 de março, pelo portal UOL, com base em fontes da administração americana .
Segundo a apuração, a documentação referente aos dois grupos já foi concluída no Departamento de Estado e passou pela análise de diferentes órgãos do governo dos EUA, que aprovaram o material. O processo segue o modelo adotado recentemente para classificar outras organizações criminosas da América Latina, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela .
Após a avaliação final pelo secretário de Estado Marco Rubio, o documento será enviado ao Congresso americano e publicado no Registro Federal, etapa que deve levar cerca de duas semanas para ser concluída .
A designação como Organização Terrorista Estrangeira implica sanções severas: congelamento de ativos nos Estados Unidos, proibição de acesso ao sistema financeiro americano e veto a qualquer tipo de apoio material, como fornecimento de armas, por cidadãos ou empresas dos EUA .
O tema foi debatido no sábado (7) em Miami, durante o evento Shield of the Americas (Escudo das Américas), que reuniu líderes conservadores da América Latina para discutir o combate ao tráfico internacional de drogas, tratado como prioridade pela atual administração americana .
Segundo o UOL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro atuou nos bastidores para estimular a classificação, conversando sobre o assunto com os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, pedindo apoio à iniciativa .
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifesta oposição à medida. Autoridades brasileiras argumentam que PCC e Comando Vermelho não possuem motivação política ou ideológica, característica geralmente associada ao conceito de terrorismo .
Outro ponto levantado pelo governo brasileiro é a preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional, especialmente diante do risco de maior atuação de forças americanas em operações contra o crime organizado na região . O chanceler Mauro Vieira, informado sobre o avanço da proposta em Washington, busca contato com o secretário Marco Rubio para tratar do assunto