Reportagem do jornal O Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar e publicada nesta segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, revela que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria feito contato com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para tratar de assuntos relacionados ao Banco Master. A informação é baseada em relatos de seis fontes diferentes colhidas ao longo das últimas três semanas.
De acordo com a publicação, os contatos teriam ocorrido em julho de 2025, portanto, antes da prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro, em novembro, e da decretação da liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo BC.
Segundo as fontes, o ministro Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central para se informar sobre o andamento da operação de venda de créditos do Master ao BRB. Em uma das versões relatadas à jornalista, Moraes teria dito a Campos Neto que “gostava” de Vorcaro e que o Banco Master estaria sendo combatido por estar “tomando espaço dos grandes bancos”. A reportagem afirma ainda que o ministro teria feito um pedido para que o BC aprovasse o negócio com o banco estatal.
Em resposta, o presidente do Banco Central teria informado a Moraes que técnicos do órgão haviam identificado indícios de fraudes na operação de repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos. Diante dessa informação, o ministro do STF teria então afirmado que, comprovada a fraude, não haveria como o negócio ser aprovado.
O jornal Valor Econômico tentou contato com a assessoria do ministro Alexandre de Moraes e do Banco Central para comentar as alegações. O BC informou que não se manifestaria sobre o assunto. O STF não havia respondido até o fechamento da reportagem.
Contexto do Contrato com Escritório da Esposa do Ministro
A revelação ocorre aproximadamente duas semanas após a mesma jornalista divulgar a existência de um contrato de prestação de serviços entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes Associados, de propriedade da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
O contrato, com vigência a partir de janeiro de 2024, previa remuneração mensal de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões. O objeto do acordo incluía a representação dos interesses do banco e de Daniel Vorcaro perante o Banco Central, a Receita Federal, o Cade e o Congresso Nacional.
Em resposta a pedidos de informação via Lei de Acesso à Informação (LAI), tanto o Cade quanto o Banco Central informaram à reportagem não ter recebido qualquer petição, pedido de reunião ou documento do escritório em nome do Banco Master.