O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que o governo federal negou três solicitações de apoio das Forças Armadas para operações policiais no estado. A declaração foi feita durante cobertura jornalística de uma ação contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 120 mortos.
“Já pedimos os blindados algumas vezes e todos foram negados. Falaram que tinha que ter GLO [Garantia da Lei e da Ordem], porque o servidor que opera o blindado é federal. E o presidente é contra a GLO”, declarou Castro aos repórteres.
O governador também se referiu à ADPF 635 do STF, conhecida como “ADPF das Favelas”, como “maldita”. De acordo com sua assessoria de segurança, a decisão judicial – implementada durante o período pandêmico – teria incentivado a migração de líderes do tráfico de outros estados para o Rio de Janeiro. Castro classificou os presos na operação como “filhotes da ADPF”.
Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu nota detalhando o apoio fornecido ao estado. Conforme o documento, a Força Nacional atua no Rio desde outubro de 2023, com mandato prorrogado até dezembro de 2025. Onze solicitações de renovação da Força Nacional teriam sido atendidas integralmente.
Dados operacionais citados pela pasta incluíram:
178 operações da Polícia Federal em 2025, com 210 prisões e apreensão de 10 toneladas de drogas
855 mandados de prisão cumpridos entre 2024 e outubro de 2025
Operações que desarticularam fábrica clandestina com capacidade para 3.500 fuzis anuais
A Polícia Rodoviária Federal registrou, de janeiro de 2023 a outubro de 2025:
3.082 veículos recuperados
72 fuzis e 172 armas curtas apreendidas
29,5 toneladas de maconha e 3,9 toneladas de cocaína apreendidas
O ministério informou ainda que o Rio de Janeiro mantém saldos não utilizados de R$ 104 milhões do FUNPEN e R$ 174 milhões do FNSP, além de ter recebido equipamentos no valor de R$ 10 milhões.
Iniciativas de cooperação técnica incluem a criação da Célula Integrada para captura de foragidos e o Comitê de Inteligência Financeira, que analisou operações suspeitas somando R$ 65 bilhões. Em fevereiro de 2025, o ministro Ricardo Lewandowski ofereceu 10 vagas em presídios federais para lideranças criminosas do estado.
A nota ministerial concluiu reafirmando o “compromisso com o Estado do Rio de Janeiro” e a intenção de fortalecer o combate ao crime organizado através de “apoio integrado” entre as esferas governamentais.