Mais

    Em primeiro voto no STF, Mendonça defende ação policial no RJ e contraria ministros

    O ministro André Mendonça, o mais novo integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), que chegou à Corte em dezembro, após ser indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), estreou nesta sexta-feira (04) com um voto que contrariou a visão de alguns colegas da Corte.

    Na ocasião, Mendonça votou a favor de algumas medidas para diminuir a letalidade policial em comunidades do Rio de Janeiro, mas discordou das propostas mais rigorosas feitas pelo relator, Edson Fachin, e divergiu de propostas feitas pelo ministro Alexandre de Moraes.

    O STF julga um recurso apresentado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) na ação conhecida como “ADPF das Favelas”, que diz respeito às restrições impostas à realização de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia de covid-19.

    A proposta também causou muita polêmica e despertou críticas por parte dos aliados do governo em maio de 2021, quando o ministro Edson Fachin propôs 11 medidas para combater a letalidade policial no estado.

    O julgamento atual, no plenário da Corte, visa decidir que as medidas propostas por Fachin serão confirmadas ou não, tendo o voto de Mendonça contrário às mais rigorosas, o que desagradou o relator.

    O ministro André Mendonça afirmou que tais medidas podem prejudicar os trabalhos da segurança pública no estado do Rio. “A grande preocupação que tenho é que essas medidas não impeça a atuação indevida de maus policiais e tornem excessivamente limitadoras a atuação do bom policial”, afirmou.

    Na prática, Mendonça buscou fazer separação entre os bons e maus policiais, argumentando que as medidas que visam diminuir a letalidade policial não podem servir para restringir a ação da força policial de forma generalizada e indiscriminada.

    “Havendo abusos, arbítrios, essas atuações precisam ser objeto de responsabilização devida. O que discordo é estabelecer essas condicionantes de forma mais restritiva à priori quando deveríamos, à luz do direito positivado e dos próprios princípios e protocolos existentes, fazermos no curso do devido processo a apuração, mas sem dar pre-determinantes da regularidade ou não das previdências adotadas”, afirmou Mendonça.

    Mendonça também discordou da decisão de Fachin que mandava o governo do Rio a levantar o sigilo sobre os protocolos de atuação policial, dizendo que isso termina facilitando a atuação dos criminosos.

    “Dar publicidade é dar oportunidade ao agente criminoso soubesse de antemão quais seriam as linhas de investigação da perícia e os prosseguimentos para autoria do crime. Logicamente, a fiscalização e o conhecimento pelo MP e pelo Judiciário deve haver, mas a publicidade ampla e irrestrita traz prejuízos à segurança do próprio cidadão”, concluiu Mendonça.

    Leia também:

    Mendonça e Fux dizem não conseguir acessar dados do celular de Vorcaro

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça...

    Cúpula do Exército critica STF por não avançar na investigação contra Moraes

    Integrantes da cúpula do Exército manifestam insatisfação com o...

    Posts da semana