“Finalmente esse defunto foi enterrado”, diz Barroso sobre o voto impresso

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, que também integra o Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma declaração nesta segunda-feira (4) que repercutiu negativamente entre os apoiadores do voto impresso no país, ao se referir ao mesmo como um “defunto” que foi “enterrado”.

“Tenho a impressão de que, depois que a Câmara votou, que o presidente do Senado disse que não reabriria a matéria e que o próprio presidente da República diz que confia no voto eletrônico, acho que finalmente esse defunto foi enterrado”, disse Barroso durante coletiva de imprensa após cerimônia de abertura do código-fonte das urnas eletrônicas.

A proposta do voto impresso é defendida pelo atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores. Essa foi uma das pautas que levaram milhares de pessoas às ruas no dia 7 de setembro passado, quando só em Brasília cerca de 400 mil manifestantes ocuparam a Esplanada dos Ministérios.

A cerimônia de abertura do código-fonte das urnas eletrônicas marca o início do processo eleitoral de 2022. O código-fonte é um conjunto de linhas de programação de um software, com as instruções para que o sistema funcione. A abertura permite a inspeção pela sociedade civil, segundo o G1.

Durante o evento, Barroso também citou o presidente Bolsonaro, alegando que o mesmo teria “se convencido” sobre a seguranças das urnas. Recentemente, durante uma entrevista para a revista Veja, o chefe do Executivo chegou a dizer que não há motivo para desconfiar das urnas, mas condicionou a sua afirmação à presença das Forças Armadas durante “toda a fase” de apuração dos votos.

“No tocante à posição do presidente Jair Bolsonaro, eu fico extremamente feliz que ele tenha se convencido de que não há problemas no voto eletrônico. Melhor assim. Acho que a presença das Forças Armadas na comissão de transparência é boa e tão válida quanto a presença da Polícia Federal, a presença da Procuradoria-Geral da República. Ninguém é melhor nem pior do que ninguém”, afirmou Barroso.