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Segunda-feira, 27 Junho, 2022

Moraes sobre Bolsonaro e o 7 de setembro: “Percebeu que havia extrapolado e recuou”

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma nova entrevista, dessa vez para a revista Istoé, onde comentou sobre a tensão entre o Executivo e o Judiciário, marcada pelo ápice do dia 7 de setembro, quando só em Brasília cerca de 400 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios em defesa de pautas como o voto impresso e pelo impeachment de alguns membros do STF.

Naquela ocasião, Bolsonaro chegou a chamar Moraes de “canalha” e disse que iria convocar uma reunião, a fim de tomar decisões sobre as reivindicações feitas pelos apoiadores. Todavia, no dia 9 de setembro, o presidente divulgou uma “carta à Nação”, onde fez um apelo por união e respeito à Constituição Federal.

Segundo Moraes, a participação do ex-presidente Michel Temer na elaboração da carta, a convite de Bolsonaro, foi determinante para o desfecho do conflito. “Temer teve uma participação importante no sentido de mostrar ao presidente a importância de se respeitar as instituições”, afirmou o ministro.

Ainda segundo Moraes, com relação às críticas contra o STF, o Tribunal teria atuado corretamente em todas as ocasiões, cumprindo apenas a Constituição. Críticos da Corte, no entanto, como o procurador Marcelo Rocha Monteiro, vêm alegando que alguns magistrados estariam extrapolando a separação dos poderes da República.

Moraes discorda: “Eu não diria que foi um armistício, porque isso ocorre quando há dois lados guerreando. E, por parte do Supremo, em momento algum houve ameaças ou tentativas de ruptura em relação ao Executivo. O STF simplesmente cumpriu a Constituição durante todo esse período, com mais ênfase ainda durante a pandemia”.

“Por isso, eu trataria aquilo como um episódio em que o presidente da República percebeu que havia extrapolado e recuou. Aquela retratação foi importantíssima para o equilíbrio do País”, concluiu o ministro, eleito pela revista citada o “brasileiro do ano” de 2021.

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