Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram uma notícia-crime na Procuradoria-Geral Eleitoral solicitando a investigação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O pedido foi motivado pela revelação de que o parlamentar utilizou, no segundo turno das eleições de 2022, um jatinho pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, para realizar atos de campanha em apoio a Jair Bolsonaro.
Em resposta à coluna, Nikolas Ferreira reagiu com ironia à iniciativa dos parlamentares governistas. “Acho que eles têm que capinar um lote. Crime? Eu não era nem candidato. Na falta de acharem algum crime contra mim, tentam imputar crimes dos outros a mim”, afirmou.
O deputado confirmou ter utilizado a aeronave, mas disse tratar-se de um avião fretado de uma empresa utilizado há quatro anos. Segundo ele, Vorcaro era apenas um dos sócios da empresa proprietária. Nikolas negou qualquer proximidade com o banqueiro e minimizou o risco da representação, lembrando que Vorcaro esteve pessoalmente reunido com o presidente Lula no Palácio do Planalto em dezembro de 2024.
Lindbergh Farias, no entanto, sustenta que o caso pode configurar infração eleitoral. “Para fazer campanha em um jatinho como esse, tem que ter todos os gastos discriminados. Do contrário, é caixa-dois. A gente está pedindo a quebra de sigilo para analisar a prestação de contas”, argumentou o parlamentar petista.
A informação sobre a viagem foi originalmente divulgada pela coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo. A repercussão do episódio ganhou dimensão em razão do contexto em que Vorcaro está inserido: o banqueiro presidiu o Banco Master, instituição atualmente no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional.