Em uma manifestação realizada na Avenida Paulista neste domingo (1º), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) elevou o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e fez graves acusações contra o ministro Alexandre de Moraes. Durante o ato “Acorda Brasil”, o parlamentar declarou que o “destino final” do magistrado não seria o impeachment, mas sim a prisão, além de proferir insultos como “pateta” e “panaca” .
“O destino final do Alexandre de Moraes não é o impeachment não, o destino final do Alexandre de Moraes é cadeia”, bradou Nikolas, que também dirigiu palavras desafiadoras ao ministro: “Moraes, escuta isso que eu tenho para dizer agora: o Brasil não tem medo de você, nós não temos medo de você” .
O deputado argumentou que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus apoiadores não conseguiria conter o movimento de direita. “Achou que ia colocar o Bolsonaro na cadeia e ia nos parar, achou que ia colocar milhares de pessoas na cadeia e ia nos parar. Ô, seu pateta. Eu sou crente, eu não posso xingar. Ô, seu panaca. Governos levantam, governos caem, mas o povo brasileiro permanece de pé”, discursou .
Ameaças e Crínicas a Toffoli
Nikolas não restringiu seus ataques apenas a Moraes. O deputado também mencionou o ministro Dias Toffoli e sugeriu que um eventual processo de impeachment contra membros da Corte não se limitaria a um único magistrado. “Eles estão achando que vai derrubar um e vai parar. Se a gente derrubar um, cai outro, cai Moraes, cai todo mundo”, ameaçou, puxando ainda o coro de “Fora, Toffoli” entre os manifestantes .
A crítica a Toffoli foi contextualizada por Nikolas com referência à instauração do “Inquérito das fake news” em 2019, quando o ministro presidia o STF, e também ao suposto envolvimento de ambos os magistrados com o Banco Master, instituição investigada por fraudes financeiras .
O deputado questionou contratos milionários entre o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a instituição financeira, afirmando que “pra quê tem juiz se envolvendo com contratos milionários com banco? Vá julgar, meu amigo” .
Contexto do Ato e Mobilização Nacional
A manifestação na Paulista fez parte de uma mobilização nacional que reuniu apoiadores em mais de 20 cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte (onde Nikolas também marcou presença pela manhã), Brasília, Rio de Janeiro e Salvador .
Os atos tiveram como principais bandeiras o apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, a derrubada dos vetos ao Projeto de Lei da Dosimetria — que visa reduzir penas de condenados por tentativa de golpe de Estado — e o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dos ministros do STF, incluindo Toffoli, Moraes e Gilmar Mendes .
De acordo com estimativa do Monitor do Debate Político da USP e da ONG More in Common, o ato na Avenida Paulista reuniu cerca de 20,4 mil pessoas no horário de pico, um público inferior a manifestações anteriores . Uma pesquisa realizada no evento pelo Cebrap/USP indicou que 74% dos presentes preferem Flávio Bolsonaro como candidato da direita à Presidência, e a grande maioria (95% e 93%, respectivamente) apoia o impeachment dos ministros Moraes e Toffoli .
Presenças e Ausências
O ato contou com a participação do senador Flávio Bolsonaro, que discursou usando colete à prova de balas e fez críticas ao governo e ao STF sem citar nominalmente ministros, defendendo a formação de maioria no Senado para viabilizar impeachments .
Também estiveram presentes os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), além do pastor Silas Malafaia, que chamou Moraes de “ditador” . Ausências notáveis foram as do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), em viagem à Alemanha, e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que teria se recuperado de uma cirurgia recente