“Papa, você é um herege”, grita padre ortodoxo em direção ao Pontífice

O Papa Francisco foi alvo de um protesto por parte de um padre, durante a sua visita ao arcebispado ortodoxo em Atenas, na Grécia. Em um vídeo divulgado pela imprensa grega é possível observar o momento em que o líder religioso chamado Ioannis Diotis grita para o Pontífice quando ele chega a um edifício para se encontrar com o chefe da Igreja Ortodoxa Grega.

“Papa, você é um herege”, disparou o líder ortodoxo. Ao conversar com jornalistas, Diotis explicou que, para ele, Francisco deveria se “arrepender”, mas não deu detalhes sobre quais seriam os motivos apontados contra o líder romano.

“Eu disse que ele é um herege, para se arrepender. É inaceitável o Papa na Grécia, ele deveria se arrepender”, afirmou Diotis, segundo o G1.

O catolicismo foi dividido em duas grandes vertentes no ano de 1054, em um evento que ficou conhecido como o “Grande Cisma”. Desde então passou a existir duas igrejas, a Católica Romana e a Ortodoxa Oriental, algo que dura até hoje e alimentou conflitos durante séculos.

O Papa João Paulo II também foi alvo de protestos por parte de monges e clérigos ortodoxos durante a sua visita à Grécia em 2001, a primeira ocorrida desde a cisão entre às duas igrejas em 1054.

No caso de Francisco, é possível que às críticas também tenham sido alimentadas por causa de algumas das suas posições, consideradas teologicamente progressistas até por parte de católicos romanos mais conservadores.

Em seu discurso na Grécia, o Papa romano criticou o que para ele é uma “retrocesso na democracia”, bem como o “autoritarismo” e o populismo. Francisco, contudo, não acusou especificamente nenhum regime ou governo.

“A democracia nasceu na Grécia e não se pode deixar de notar com preocupação como hoje, não só no continente europeu, há um retrocesso da democracia”, afirmou o Papa.

“O autoritarismo é expedito e as promessas fáceis do populismo são apelativas. Em muitas sociedades, preocupadas com a segurança e anestesiadas pelo consumismo, o cansaço e o mal-estar estão a conduzir a uma espécie de cepticismo democrático”, concluiu. Veja abaixo: