Mais

    Presidente do Superior Tribunal Militar repreendida por colega revida e causa bate-boca em sessão

    Em uma sessão do Superior Tribunal Militar (STM) na terça-feira, 4, a presidente da Corte, ministra Maria Elizabeth Rocha, e o ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira travaram um debate público que expôs divergências ideológicas sobre o passado institucional.

    A discussão iniciou-se quando a ministra Maria Elizabeth reagiu a críticas feitas por Amaral na semana anterior, relacionadas ao seu discurso durante a cerimônia que marcou os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog durante o regime militar.

    Na ocasião, a presidente havia feito um pedido de perdão em nome da Justiça Militar pelas supostas “omissões e erros” cometidos durante o regime militar.

    Ao abrir a sessão, a presidente classificou como misóginas as declarações do ministro, que anteriormente sugerira que ela “deveria estudar mais a história do Tribunal” e acusara sua fala de ter “abordagem política”. Maria Elizabeth afirmou: “O tom misógino, travestido de conselho paternalista, não me intimida. Estou nesta Corte há quase duas décadas e conheço bem a instituição”.

    O ministro Amaral, tenente-brigadeiro do ar indicado ao STM em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro, retrucou dizendo que não havia dado “delegação” para que ela falasse em seu nome, ao que a presidente respondeu: “Nem eu quero”. O diálogo gerou tensão no plenário, seguido por um silêncio constrangido entre os presentes.

    Maria Elizabeth defendeu publicamente o teor de seu pedido de perdão, realizado em 25 de outubro na Catedral da Sé, em São Paulo. Descreveu o gesto como “eticamente republicano” e “sem cunho partidário”, destinado a reconhecer a responsabilidade institucional da Justiça Militar por falhas ocorridas durante a ditadura.

    “Foi um ato de responsabilidade pública, não de humilhação”, declarou, acrescentando que se tratava de uma manifestação pessoal, embora proferida no exercício de sua presidência.

    O ministro Amaral negou que suas críticas tivessem caráter misógino e expressou preocupação com a projeção pública das divergências, que, em sua avaliação, afetaria a imagem do tribunal de maneira negativa. Sugeriu, como forma de contenção, que eventuais discordâncias fossem tratadas em reuniões reservadas.

    Indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo, Maria Elizabeth Rocha é a primeira mulher a presidir o STM em mais de dois séculos de história. Seu pedido de perdão foi recebido com apoio por organizações de direitos humanos e familiares de vítimas, mas gerou desconforto em segmentos militares e entre grupos alinhados ao regime anterior. Assista:

    Leia também:

    PF encontra mensagens em que Vorcaro cita Jaques Wagner como intermediário de Lula

    A Polícia Federal identificou, em conversas extraídas do celular...

    Flávio apresenta plano nacional de segurança com presídios inspirados em El Salvador

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, divulgou...

    Flávio comenta operação contra líder de Lula: “PT da Bahia foi implodido pela PF”

    O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta...

    Flávio Bolsonaro fará representação contra Lula por “ameaça” durante discurso

    O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ),...

    Reunião de quase 2 horas de Flávio com Trump revela força eleitoral contra Lula

    O jornalista Paulo Figueiredo afirmou, em entrevista ao Metrópoles...

    Zema permanece ‘empacado’ em 4% nas pesquisas, mesmo após críticas a Flávio Bolsonaro

    Levantamento do instituto BTG/Nexus, divulgado na segunda-feira (25/5), mostra...

    “Lula está perplexo”, diz Camarotti sobre decisão do Senado rejeitar Messias no STF

    Comentarista da GloboNews, o jornalista Gerson Camarotti trouxe informações...

    Posts da semana

    close