O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes tomada na última sexta-feira, proibindo o funcionamento do aplicativo Telegram no Brasil. Para o chefe do Executivo, o ministro “resolveu recuar a tempo”, revogando a própria decisão após a forte repercussão negativa da medida.
“Eu não tenho o número exato, mas tem dezenas de milhões de pessoas que usam Telegram. Você não pode prejudicar pessoas que usam isso daí para fazer negócio, para tratamento médico, usam para defesa civil”, disse o presidente numa entrevista na manhã de hoje (21).
“Isso é um crime fazer isso daí. É um ato, no meu entender, lamentável, que ele resolveu recuar a tempo”, completou Bolsonaro, em tom de provocação, argumentando que Moraes seria derrotado no plenário do STF por causa de jurisprudências anteriores já estabelecidas pelo Supremo.
“Revogou a própria decisão dele”, disse o presidente à Jovem Pan News. “O nosso advogado-geral da União, Bruno Bianco, entrou com uma ação sexta e sábado, muito bem fundamentada, levando-se em conta a jurisprudência do próprio Supremo.”
“A ação caiu para a senhora Rosa Weber, que já era autora de uma jurisprudência, ou seja, o Alexandre de Moraes ia perder no plenário isso dai e resolveu recuar”, argumentou Bolsonaro.
A revogação da decisão de bloqueio do Telegram, contudo, ocorreu após o aplicativo cumprir algumas exigências por parte de Moraes, entre elas a exclusão de uma postagem onde Bolsonaro relata um ataque hacker à Justiça Eleitoral em 2018.