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Sábado, 21 Maio, 2022

Mendigo é investigado criminalmente; psicóloga suspeita de ‘estupro de vulnerável’

O caso envolvendo o morador de rua Givaldo Alves, que teve relações sexuais com a esposa de um personal trainer de Planaltina, em Brasília, continua gerando repercussões que chamam atenção pela complexidade da ocorrência. Um laudo divulgado na última sexta-feira, por exemplo, aponta que a mulher teve um “surto psicótico” e se encontra internada numa unidade psiquiátrica até o momento.

O nome da mulher é Sandra Mara Fernandes, segundo uma nota divulgada por sua própria família, onde informa que Givaldo Alves está sendo investigado criminalmente, em segredo de justiça. Segundo Eduardo Alves, marido de Sandra, a sua esposa foi vítima de violência sexual diante de uma situação de vulnerabilidade psicológica.

“À polícia, [o marido] disse acreditar que ela não estava em plenas condições psicológicas, situação da qual, para ele, o morador de rua teria tirado proveito. O personal afirmou que ela já vinha apresentando problemas psicológicos”, informou o Extra.

No laudo cujo trecho foi noticiado pelo Psicologia Notícias, o documento explica que Sandra já vinha há alguns meses apresentando “alucinações auditivas, delírios grandiosos e de temática religiosa, hipertimia, falso reconhecimento, comportamentos desorganizados e por vezes inadequados”.

“Acreditamos que, neste momento, em razão de seu estado psicopatológico, a paciente não é capaz de responder por si, tampouco de exercer vários atos da vida civil, em especial o de assinar documentos e procurações, assim como de celebrar contratos ou contratar serviços de qualquer natureza”, disse o médico Abreu Gonçalves, do Hospital Universitário de Brasília, que assina o laudo.

A psicóloga Marisa Lobo, especialista em Saúde Mental, comentou a ocorrência dizendo também suspeitar que Sandra foi vitimada por alguém que se aproveitou da sua condição psicológica, em surto, para ter relações sexuais com ela.

Após a manifestação da psicóloga pelas redes sociais, a Tribuna de Brasília entrou em contato com a profissional, a fim de saber mais detalhes sobre a sua opinião. “A minha suspeita é de que o morador de rua abusou de uma mulher claramente insana”, disse Marisa.

“É isso o que os indícios sugerem. Os relatos da mulher em um áudio vazado, onde ela descreve como tudo aconteceu, e principalmente a forma como este mendigo descreveu a relação com ela nos veículos de comunicação, sem qualquer pudor ou respeito, indicam que ele não é uma pessoa ignorante, mas bem articulada e plenamente consciente dos seus atos”, observou a psicóloga.

“Pelos relatos, não creio que ele foi inocente a ponto de não perceber que estava diante de uma mulher psicologicamente atordoada. Vejo justamente o contrário, que ele não só pode ter percebido, como pôde ter buscado se aproveitar da situação. Pode não ter havido violência física, sexualmente falando, mas pode ter havido um estupro de vulnerável”, explica Marisa.

“O fato de entrarem no carro e a sugestão de irem a um local mais reservado, longe dos olhares, tudo conscientemente da parte dele [o mendigo], também sugere uma atitude deliberada de quem sabia se tratar de uma situação incomum. Pelo áudio vazado onde a mulher relata o ocorrido, o que vejo é ela sendo induzida, e não o contrário”, concluiu a psicóloga.

Givaldo Alves, por sua vez, tem negado reiteradamente a acusação de estupro. “Deus me colocou em um lugar cercado por câmeras que comprovam não ter havido nada disso (estupro). Se fosse outro morador de rua, possivelmente já estaria preso”, disse ele em uma das entrevistas que já concedeu.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela família de Sandra, após a repercussão do caso:

“Em resposta ao clamor midiático dado às palavras desrespeitosas e ofensivas do Sr. Givaldo Alves de Souza, em entrevistas concedidas a canais de TV aberta e jornais de grande circulação nos meios impressos e online, a família e as advogadas de Sandra Mara Fernandes expressam total repúdio a todas essas manifestações que vilipendiam a reputação e honra dessa vítima frente à sociedade.

Como medida necessária à assegurar a proteção de Sandra Mara Fernandes foram adotadas as medidas cabíveis junto à Polícia Civil do Distrito Federal, para apuração da conduta delitiva em curso e disseminada nos meios de comunicação, objetivando a representação do responsável pela prática destes atos junto ao Poder Judiciário.

Testificamos que a Sandra Mara Fernandes se mantém internada em estabelecimento hospitalar psiquiátrico da rede pública de saúde, no qual é mantido tratamento médico intenso com objetivo de restabelecimento da sua saúde física e mental.

Dada a situação de incapacidade atestada por profissionais da saúde, e observados os impactos dessas informações disseminadas de forma irresponsável nos meios de comunicação, faz-se necessário ressaltar a responsabilidade do Estado e da Sociedade na proteção dessa mulher, motivo pelo qual solicitamos que os usuários das mídias sociais parem de compartilhar vídeos que expõem e denigrem de forma ultrajante não apenas essa vítima, mas todas as mulheres, que passam a ser retratadas como um objeto sexualizado e sem valor.

Ratificamos que a investigação criminal segue sob o sigilo e nos reservaremos ao pronunciamento perante as autoridades legalmente constituídas, as quais detém competência para analisar as circunstâncias do caso e de determinar providências para salvaguardar os direitos da pessoa em situação de incapacidade”.

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