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    Moro admite que ‘o STF proferiu decisões que minaram o combate à corrupção’

    O ex-ministro Sérgio Moro parece ter tomado coragem para se posicionar de forma clara sobre o que pensa acerca das recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especificamente no tocante aos processos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foram anulados no âmbito da operação Lava Jato de Curitiba, no Paraná.

    Participando de um evento para o lançamento do seu livro, em São Paulo, Moro também tratou de uma decisão do Ministério Público Federal, que apontou a prescrição no caso do triplex do Guarujá, um dos motivos pelos quais Lula chegou a ser condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

    “O Supremo negou o habeas corpus, que quer dizer que pode expedir a prisão (…) recebi e cumpri o mandado”, disse Moro, se referindo à época em que o STF negou um pedido da defesa de Lula, autorizando a prisão do petista. Todavia, “três anos depois o Supremo diz: ‘Não, não, estava errado’”, completou o ex-ministro, apontando o que para ele é uma contradição do próprio STF.

    Moro, então, se referiu indiretamente às recentes críticas de aliados do governo Bolsonaro aos ministros do STF, dizendo não concordar, mas admitiu que o Supremo acabou minando o combate à corrução no Brasil.

    “Tem que respeitar o Supremo, não concordo com as recentes agressões, mas esse foi um erro (…) O Supremo proferiu decisões que minaram o combate à corrupção”, disse o ex-ministro durante entrevista para o jornalista Claudio Dantas, do blog O Antagonista.

    É a primeira vez em que Moro se posiciona de forma crítica e contundente em relação ao STF sobre os processos de Lula na Lava Jato. Além dele, o ex-procurador Deltan Dallagnol também criticou o parecer do MPF pela prescrição do caso Triplex do Guarujá.

    “O ex-presidente [Lula] foi acusado nesse caso por crimes gravíssimos de corrupção e lavagem de dinheiro por mais de 15 procuradores e foi condenado por 8 julgadores independentes de três instâncias do Poder Judiciário, inclusive por magistrados indicados por ele próprio durante seu governo, o que torna a alegação de perseguição uma teoria conspiratória sem qualquer base na realidade”, disse Dallagnol em nota.

    “Os bilhões desviados não foram devolvidos por caridade, eles foram roubados do povo brasileiro por criminosos que se disfarçaram de políticos e empresários que devem ser responsabilizados por seus crimes”, concluiu o ex-coordenador da Lava Jato.

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