O presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) chegou há pouco em Brasília e, segundo informações da revista Veja, fez uma convocação dos seus auxiliares para uma reunião no Palácio da Alvorada. A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negar pela segunda vez um pedido da sua campanha para investigar o suposto boicote em propagandas eleitorais veiculadas nas rádios do país.
Um integrante da campanha do presidente, ainda de acordo com a Veja, definiu o clima do encontro como se a disputa eleitoral fosse se prolongar. “O terceiro turno começou e o segundo nem terminou. É guerra”, teria dito o membro.
“Uma fonte da campanha disse ao Radar que militares das Forças Armadas foram chamados para o encontro. Ministros e auxiliares próximos ao presidente, no entanto, desconversaram sobre a presença de chefes militares no encontro”, comunicou o editorial.
Hoje pela manhã Bolsonaro já havia comentado o caso, dizendo que o TSE deveria “explicações”. “Não será demitindo um servidor do TSE que o TSE vai botar uma pedra nessa situação. Aí tem dedo do PT”, acusou o presidente da República.
“Não tem uma coisa errada no Brasil que não tenha dedo do PT. O que foi feito, comprovado por nós, pela nossa equipe técnica é interferência, é manipulação de resultado. Eleições têm que ser respeitadas, mas lamentavelmente, PT e TSE têm muito que se explicar nesse caso”, prosseguiu Bolsonaro.
Em sua decisão de hoje, Moraes voltou a afirmar que a denúncia feita pela campanha de Bolsonaro não consiste de provas. Além de negar o pedido de investigação, ele também determinou que alguma eventual tentativa de “tumultuar” a eleição, por parte da equipe do presidente, seja apurada.
“Os erros e inconsistências apresentados nessa pequena amostragem de oito rádios’ são patentes”, afirma Moraes, segundo o G1. De acordo com o magistrado, os integrantes da campanha de Bolsonaro “abandonaram o pedido inicial e passaram a indicar uma ‘pequena amostragem de oito rádios’, o que representa 0,16%do universo estatístico apontado”.
A campanha do presidente, contudo, havia informado que devido ao prazo das eleições, não teria tempo suficiente para compilar todos os dados disponíveis em seu relatório, e que por isso teria enviado nesse momento apenas uma parte das informações, a fim de que providências iniciais fossem tomadas.
Para o presidente do TSE, entretanto, “diante de discrepâncias tão gritantes, esses dados jamais poderiam ser chamados de ‘prova’ ou ‘auditoria’”. Ele completou:
“Não restam dúvidas de que os autores – que deveriam ter realizado sua atribuição de fiscalizar as inserções de rádio e televisão de sua campanha – apontaram uma suposta fraude eleitoral às vésperas do segundo turno do pleito sem base documental crível, ausente, portanto, qualquer indício mínimo de prova, em manifesta afronta à Lei n. 9.504, de 1997, segundo a qual as reclamações e representações relativas ao seu descumprimento devem relatar fatos, indicando provas, indícios e circunstâncias”, completa Moraes.
Com a recusa de Moraes, segundo a Veja, a “expectativa dos auxiliares do presidente é de que ele vá para cima de Alexandre de Moraes e do TSE, depois de o tribunal ter desqualificado o caso do auxiliar exonerado nesta semana.”