Após o seu pronunciamento na noite de ontem, o presidente Jair Bolsonaro desagradou alguns apoiadores, os quais viram no chefe do Executivo uma postura serena. Mas, segundo informações de um dos membros da reunião entre o chefe do Executivo e os comandantes das Forças Armadas, a sua reação foi fruto de um acerto entre as autoridades.
Para o comando militar, segundo um dos participantes da reunião, “ficou evidente que o presidente do TSE escolheu um lado na disputa eleitoral”, disse a fonte ao blog O Antagonista, se referindo ao ministro Alexandre de Moraes.
Ainda de acordo com o integrante da reunião, mesmo cientes da suposta parcialidade, a decisão tomada com Bolsonaro foi “manter a serenidade e seguir para as eleições, contra tudo e contra todos”.
“A decisão foi bancar as eleições pela certeza da vitória nas urnas, mesmo com todas as restrições impostas pelo TSE, pelo STF”, disse a fonte. Estiveram na reunião com Bolsonaro, antes do pronunciamento, o ministro Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e os comandantes do Exército, General Freire Gomes; da Aeronáutica, Baptista Júnior, e da Marinha, Garnier Santos.
O pronunciamento de Bolsonaro foi uma reação à uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que recusou um pedido da campanha do presidente para investigar o suposto boicote de mais de 150 mil inserções de propaganda eleitoral em favor do governo.
Moraes, por sua vez, alegou que os dados apresentados pela campanha de Bolsonaro não seriam suficientes para comprovar o boicote.
“Não restam dúvidas de que os autores – que deveriam ter realizado sua atribuição de fiscalizar as inserções de rádio e televisão de sua campanha – apontaram uma suposta fraude eleitoral às vésperas do segundo turno do pleito sem base documental crível, ausente, portanto, qualquer indício mínimo de prova, em manifesta afronta à Lei n. 9.504, de 1997, segundo a qual as reclamações e representações relativas ao seu descumprimento devem relatar fatos, indicando provas, indícios e circunstâncias”, afirmou Moraes.