Presidente do Conselho de Medicina sobre decisão do STF na pandemia: “Catastrófica”

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Ribeiro, concedeu uma entrevista nesta quarta-feira (13) ao programa “Os Pingos nos Is”, da rede Jovem Pan, onde criticou a “politização” do chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19, assim como uma decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em abril do ano passado, no auge da pandemia.

A decisão do STF concluiu que os estados e municípios possuem competência compartilhada com o poder Executivo no tocante à gestão da pandemia, algo que, na prática, deu a governadores e prefeitos o poder de contrariar orientações do governo federal, possibilitando a implementação de medidas como a do “fique em casa”.

Para o Dr. Mauro, a decisão do STF foi um erro. “Houve dentro desse processo algumas decisões que se revelaram catastróficas. Decisão do Supremo a gente aceita, mas com muita humildade eu coloco aqui uma crítica. Quando o STF decidiu que as políticas sanitárias em relação à Covid eram de responsabilidade compartilhada entre União, Estados e municípios, a população brasileira paga um preço por isso”, declarou o médico.

Quanto ao tipo de abordagem médica no tratamento do coronavírus, Dr. Mauro explicou que houve uma politização sobre o tema, o que terminou prejudicando e gerando uma onda de reações injustas para com os médicos que defendem o tratamento precoce.

“Um tratamento médico está sendo totalmente politizado há um ano e meio, e os médicos estão sendo atacados de uma forma covarde por determinados segmentos da população”, disse ele.

Ribeiro afirmou ainda que recebe “com muita calma e tranquilidade” a possibilidade do senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid-19, pedir o indiciamento dele no relatório final da Comissão. Ele ressaltou que o CFM defende a autonomia dos médicos.

“Nós estamos muito tranquilos e serenos porque a única coisa que o CFM faz é defender a autonomia do médico brasileiro. Autonomia e sigilo do são dois princípios milenares da medicina. Isso não é uma determinação do CFM, é um princípio desde os primórdios da medicina”, afirmou.

Assista o trecho da entrevista em que o Dr. Mauro fala do STF e a sequência completa, abaixo: