Presidente da CPI da Covid emite juízo prévio contra Bolsonaro: “Foi negacionista”

Omar Aziz, presidente da CPI da Covid-19, declarou na segunda-feira (03) que o presidente Jair Bolsonaro teria cometido “diversos equívocos” com relação à condução do combate à pandemia no país, assumindo, “desde o primeiro momento”, um comportamento “negacionista”.

“O presidente Bolsonaro, desde o primeiro momento, foi negacionista. Ele estimulou aglomerações, achava que poderíamos sair da pandemia com imunização de rebanho, e vimos que não era nada disso”, afirmou o senador durante o programa Roda Viva, pertencente à TV Cultura.

Ao ser questionado quanto ao posicionamento do presidente com relação a remédios utilizados durante o chamado tratamento precoce, Aziz afirmou que “não discute com a ciência”, alegando que a mesma já teria concluído que os mesmos não teriam eficácia.

A visão de Aziz quanto a isso, no entanto, está equivocada, visto que o parlamentar trata a questão científica de forma absolutista, fazendo parecer que a “ciência” é um ser independente e único, quando na verdade ela é formada por um conjunto de pesquisadores que integram a comunidade acadêmica mundial, os quais produzem conhecimento sobre os mais diversos assuntos.

No tocante ao tratamento precoce do coronavírus, não há consenso sobre a eficácia ou não eficácia dos medicamentos utilizados, motivo pelo qual o Conselho Federal de Medicina do Brasil, por exemplo, se posicionou no sentido de garantir a autonomia dos médicos sobre a possibilidade de receitar os medicamentos considerados “off label”.

O presidente da CPI ainda foi questionado sobre a possibilidade de um impeachment resultante da CPI, porém optou por não fazer previsões. Contudo, o senador alegou que é necessário que o governo reavalie os erros que foram cometidos durante a pandemia. “Esses equívocos custaram muitas vidas ao Brasil”, lamentou.

Omar Aziz foi declarado presidente da CPI da Covid de maneira um tanto quanto polêmica, pois o mesmo chegou ao cargo mesmo sendo alvo de investigações por suspeita de desvio de verbas da saúde no Amazonas durante seu governo entre 2010 e 2014.