Girão diz que cerimônia de encerramento da CPI será “palanque em cima de caixão”

A CPI da Pandemia está se aproximando do seu encerramento, e para marcar o fim das atividades os senadores que compõem a “cúpula” da comissão, Randolfe Rodrigues, Omar Aziz e Renan Calheiros pretendem fazer uma cerimônia com direito a música, instalação de um memorial no espelho d’água do Congresso e, talvez, até a soltura de balões brancos.

A ideia é que a cerimônia de encerramento seja feita em frente ao monumento feito com lápides de mármore removíveis, na presença de familiares de vítimas do coronavírus. Na ocasião haveria o canto da música “Aos Nossos Filhos”, de Ivan Lins, e a liberação de balões brancos, segundo informações da CNN.

Mas, para o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), a ideia da cerimônia teria outro objetivo bem distante da homenagem das vítimas da pandemia. Ele acredita que a cúpula da CPI da Covid está esperando o Brasil chegar a marca de 600 mil mortos para “fazer palanque em cima de caixão”.

“A CPI tem uma celebração marcada, com o objetivo de fazer uma apoteose. Acho que estão esperando chegar nos 600 mil mortos, isso é triste porque é fazer palanque em cima de caixão. Usar a vida das pessoas com este tipo de fim não é correto”, disse Girão, segundo a Oeste.

Girão é um dos principais críticos da comissão que ele mesmo integra. Isso porque, nenhum dos seus requerimentos referentes à convocação de governadores e/ou pessoas ligadas a denúncias de corrupção nos estados e municípios foi aprovado pelos colegas, apesar das mais de 70 operações da Polícia Federal contra suspeitas de desvio de recursos para a saúde desde 2020.

O dia previsto para o encerramento da CPI é 19 desse mês, e Girão está convicto de que a única finalidade da comissão foi servir de instrumento “político-eleitoreiro” para antecipar o calendário eleitoral de 2022. “Surgiram três candidatos à Presidência da República dentro da comissão”, afirmou o senador.