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Domingo, 26 Junho, 2022

Ex-procurador que planejou matar Gilmar Mendes, Janot diz que poderá ser candidato

O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que em 2019 revelou ter planejado matar o ministro Gilmar Mendes a tiros, comunicou ao Podemos, do senador Álvaro Dias, que está pronto para se candidatar a uma vaga de deputado federal pelo Distrito Federal (DF).

Janot se filiou ao Podemos em abril desse ano, na esteira das filiações “lavajatistas”, quando figuras como o ex-juiz Sérgio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol também ingressaram no partido.

Contudo, até então Janot não havia dado sinais concretos de que pretendia se candidatar. Segundo o Metrópoles, o ex-PGR alegava ter uma vida de tranquilidade e viagens. Mas, agora, ele comunicou ao partido que está disponível para a candidatura pelo DF.

Plano contra Gilmar Mendes

Rodrigo Janot causou polêmica em 2019, quando revelou para a imprensa que em 2017 chegou a entrar armado no Supremo Tribunal Federal (STF), a fim de matar o ministro Gilmar Mendes.

“Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por muito pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolvera fazer graça com minha filha”, afirmou o ex-PGR.

A declaração acima foi revelada em um livro escrito por Janot. Na obra, ele não citou Gilmar Mendes, mas confirmou que se tratava do ministro durante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

“Ele [Gilmar Mendes] inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal. E aí eu saí do sério”, disse Janot na época. Segundo o ex-PGR, foi “a mão de Deus” que o impediu de matar o ministro, segundo o G1.

“Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele [Gilmar Mendes] e depois me suicidar”, disse ele. “Ele estava sozinho [no STF], mas foi a mão de Deus. Foi a mão de Deus (…). “Cheguei a entrar no Supremo (com a intenção de matar o ministro)”, relatou. “Ele estava na sala, na entrada da sala de sessão. Eu vi, olhei, e aí veio uma mão [que impediu o crime].

Em decorrência das revelações de Janot, Gilmar Mendes se disse surpreso. O ministro recomendou “tratamento psiquiátrico” para o ex-PGR e o STF terminou abrindo um inquérito para investigá-lo.

“Eu fui no STF sempre um crítico dos métodos do procurador Janot. Divergências de caráter intelectual e institucional. Não imaginava que nós tivéssemos um potencial facínora comandando a Procuradoria-Geral da República”, disse Gilmar na época, numa entrevista.

“Imagino que todos aqueles que foram responsáveis por suas indicações – ele foi duas vezes PGR – devem estar hoje pensando nas suas altas responsabilidades de indicar alguém tão desprovido de condições para as funções”, concluiu o ministro.

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