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    Lula politiza ação contra o PCC e associa Bolsonaro à facção: ‘Ele que tome cuidado’

    Em declarações durante entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que as operações recentes da Polícia Federal contra o crime organizado, incluindo a megaoperação desencadeada contra o PCC na quinta-feira (28), devem servir de “alerta” para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Lula declarou que as investigações sobre adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, que envolveram o uso do sistema financeiro, alcançaram “o andar de cima”. “A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado nesse país. E o ex-presidente que tome cuidado”, disse o presidente.

    Ao ser questionado sobre o projeto de lei que discute anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, Lula classificou o debate como “impertinente”. Ele fez referência à sua própria condenação na Operação Lava Jato, em 2018:

    “Ninguém foi ainda condenado, o homem não foi nem julgado e já está querendo anistia? Ele já está dizendo que é culpado e que quer ser perdoado? Não. Ele tem que, primeiro, provar a inocência dele, está tendo o direito à presunção de inocência que eu não tive”.

    Sobre o julgamento de Bolsonaro, previsto para começar em 2 de setembro, Lula afirmou que não acompanhará os trabalhos por ter “coisa melhor pra fazer”. “O que está sendo julgado é o comportamento desse cidadão que foi presidente da República. Se ele cometeu crime, será punido. Se não, será absolvido e a vida continua”, completou.

    O presidente também fez críticas indiretas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), relacionando-o à polêmica sobre a fiscalização de transações via PIX no início do ano. Lula afirmou que a campanha contra a medida da Receita Federal, que previa maior transparência nas operações das fintechs, beneficiou grupos criminosos.

    “Um deputado que eu não vou dizer o nome fez uma campanha contra uma mudança que a Receita Federal tentou fazer e que vai ser feita agora. Naquele tempo, a mudança era para combater o crime organizado. […] Nós descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado. […] Agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado”, declarou o presidente.

    A referência era a um vídeo publicado por Nikolas Ferreira em janeiro de 2025, no qual o parlamentar questionava a possibilidade de a Receita Federal monitorar transações PIX superiores a R$ 5 mil. O governo recuou da medida na época, mas novas normas foram implementadas para exigir que as fintechs forneçam o mesmo nível de transparência que os bancos tradicionais.

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