Lula: ‘A demonização da política e do PT em particular foi obra eficaz da Lava Jato’

Na noite da última quinta-feira (15) o jornalista Kennedy Alencar publicou uma matéria no UOL em favor da anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No artigo, Alencar também condenou a maneira como as condenações foram feitas e debateu sobre a possibilidade da eleição de Lula em 2022.

Segundo o Jornalista, a “perseguição judicial” ao petista se trata de um “abuso” da operação Lava Jato, que fora corrigido através da decisão do STF.

Alencar continua, alegando que a “demonização política” do Partido dos Trabalhadores se tratou de uma estratégia para alavancar as chances de Jair Bolsonaro chegar a presidência da República em 2018. Além disso, o mesmo afirma que certos integrantes da lava Jato poderiam até mesmo ter “burlado regras” para chegaram a esse resultado.

“O STF confirmou a decisão do ministro Edson Fachin que julgou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para analisar os processos relacionados a Lula. Ou seja, os integrantes da Lava Jato, especialmente o então juiz Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, burlaram regras de distribuição do processo penal a fim de atrair os casos de Lula para a jurisdição de Curitiba”, afirmou.

Quando se trabalha com o ponto de vista eleitoral, Kennedy defende que a candidatura de Luiz Inácio se torna, agora, algo “praticamente inevitável”, e aponta que a derrota de Bolsonaro se torna algo certo, segundo levantamento de pesquisas recentes.

“Outros presidenciáveis também saem perdendo, porque, com o petista no páreo, diminuiu a margem de manobra para que cheguem a um eventual segundo turno”, defendeu Alencar.

STF expõe a “face de um sistema de justiça criminal”

Por outro lado, para o ex-coordenador nacional da operação Lava Jato e procurador da República, Deltan Dallagnol, a decisão do STF que manteve a anulação das condenações de Lula pela força-tarefa em Curitiba expos a “face de um sistema de justiça criminal no país”.

“A decisão do STF de hoje expõe uma face de um sistema de justiça criminal disfuncional: se o caso do ex-presidente Lula tivesse tramitado em Brasília, teria sido anulado também. Ou seja, o desenho do sistema brasileiro o torna um jogo de perde-perde para a sociedade”, declarou o procurador.

Muito embora Lula possa se candidatar em 2022, aliados do presidente Jair Bolsonaro não levam em consideração pesquisas eleitorais que apontam suposta vantagem do petista no 2° turno, dado que em 2018 inúmeros levantamentos desse tipo erraram suas previsões, sendo alvos de críticas por suposta tentativa de manipulação popular.