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    Lewandowski diz que a Lava Jato agiu “contra o Estado democrático de Direito”

    O clima ficou pesado entre os ministros do Supremo Tribunal Federal, durante um debate a respeito da confirmação da incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para realizar o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores).

    Se posicionando de maneira diferente no assunto, o ministro Luís Roberto Barroso ingressou numa discussão com Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, levando a sessão a ser interrompida em meio a gritos pelo presidente do STF, Luiz Fux.

    Ao longo da sessão, que já formou maioria para manter a decisão que julgou o ex-juiz federal Sergio Moro parcial ao atuar no caso de Lula, Lewandowski e Barroso tiveram um desentendimento sobre os afeitos da operação Lava Jato no país. À medida que a sessão se aproximou do fim, o ministro entrou num “bate-boca” com Gilmar Mendes sobre questões processuais.

    “Vossa excelência acha que o problema, então, foi o enfrentamento da corrupção e não a corrupção?”, questionou Barroso enquanto Lewandowski adiantava seu voto e debatia sobre os prejuízos financeiros que a Lava Jato teria supostamente trazido ao país.

    “Vossa excelência sempre quer trazer à baila aqui a questão da corrupção. Como se aqueles que estivessem contra o modus operandi da Lava Jato fossem favoráveis à corrupção. Mas o modus operandi da Lava Jato levou a conduções coercitivas, prisões preventivas alongadas, ameaças a familiares, prisão em segunda instância e uma série de outras atitudes absolutamente, ao meu ver, incompatíveis com o Estado democrático de Direito”, replicou Lewandowski.

    Num determinado momento do debate, Barroso criticou severamente o que chamou de “tentativa de vingança” pelos políticos julgados na operação Lava Jato, e aproveitou a situação para citar a operação Mãos Limpas, que ocorreu na Itália e cujo objetivo era investigar a corrupção.

    “Na Itália, a corrupção venceu e conquistou a impunidade. Aqui, entre nós, ela quer mais, ela quer vingança, quer ir atrás dos procuradores e juízes que ousaram enfrentá-la para que ninguém nunca mais tenha coragem de fazê-lo”, disse ele.

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