Em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a articulação política em torno do projeto de lei que prevê anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro intensificou-se no Congresso Nacional. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tornou-se peça central nas negociações, realizando uma série de reuniões em Brasília nesta quarta-feira.
A movimentação ocorre paralelamente ao julgamento, pela Primeira Turma do STF, dos réus considerados integrantes do “núcleo 1” do inquérito que apura alegações de tentativa de golpe de Estado. No plano político, a base governista enfrenta o desligamento formal da federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, que determinou a saída de seus filiados de cargos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O governador Tarcísio de Freitas reuniu-se com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. O objetivo declarado foi pressionar pela inclusão do projeto de anistia na pauta de votações da Casa. Motta, após o encontro, afirmou à imprensa que “o tema é de grande relevância e será discutido com os líderes partidários na próxima semana”.
No Senado Federal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou a existência de um novo texto que propõe uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. “Estamos finalizando a minuta em conversas com deputados e senadores. A expectativa é apresentá-la ainda este mês”, declarou o parlamentar.
O líder da oposição na Câmara, deputado Luciano Zucco (PL-RS), reiterou a pressão pela votação. “Temos maioria consolidada no plenário. Não há justificativa para continuar protelando a votação de um tema de tanto interesse nacional”, afirmou Zucco.
Do lado do governo, o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), reconheceu a força da articulação oposicionista. “Há uma pressão muito grande, com participação de governadores e de partidos que estão deixando a base. É um movimento que não pode ser ignorado”, avaliou.
Contexto Partidário e Eleitoral
A saída da federação União Progressista do governo federal envolve 59 deputados do União Brasil e 50 do PP, totalizando 109 votos. Os presidentes dos partidos, Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), confirmaram que seus parlamentas terão um prazo de 30 dias para desocupar cargos de confiança.
Analistas políticos avaliam que esse realinhamento fortalece substancialmente a bancada oposicionista, que passa a contar com um bloco coeso capaz de influenciar a pauta legislativa, incluindo a votação da anistia.
Paralelamente, nos bastidores, crescem as especulações sobre a formação de uma frente ampla de centro-direita para as eleições de 2026. O nome do governador Tarcísio de Freitas é citado com frequência como um potencial nome de consenso. Questionado sobre uma eventual candidatura presidencial, Tarcísio negou: “Meu foco é integralmente o governo de São Paulo e a reeleição para o Palácio dos Bandeirantes”.
Entretanto, presidentes de partidos como PP, PL e PSD têm articulado abertamente uma aliança em torno do governador. O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, declarou em evento recente: “O Brasil precisará de lideranças como Tarcísio para se reconstruir”. O secretário de Governo de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), também é citado como um dos articuladores dessa frente.
O governo federal, por meio de sua porta-voz, emitiu uma nota breve afirmando que “acompanha os desdobramentos no Congresso e mantém o foco na execução do programa de governo e na agenda de desenvolvimento nacional”.