Em coletiva realizada nesta sexta-feira (26 de setembro), o ministro Luís Roberto Barroso, que em breve deixará a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que não deixará o Brasil, apesar de ter recebido convites de instituições acadêmicas dos Estados Unidos para uma temporada no exterior. Mas, mesmo se quisesse, ele poderia entrar em solo americano?
A declaração foi dada durante conversa com jornalistas na sede do tribunal. Barroso respondeu: “Não estou pensando em deixar o Supremo prontamente, e muito menos eu penso em deixar o Brasil. Eu prefiro o Brasil, eu gosto mesmo do Brasil”. O ministro acrescentou que, embora tenha recebido um novo convite de uma instituição norte-americana, seus planos para uma eventual estadia no exterior estão projetados para “algum lugar do futuro”.
Ocorre que, por outro lado, mesmo se quisesse ir aos EUA, o magistrado encontraria problemas, pois o contexto da discussão inclui a medida anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, que revogou vistos de entrada nos Estados Unidos para ministros do STF considerados próximos ao ministro Alexandre de Moraes. Barroso é um dos magistrados atingidos pela restrição.
Sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, Barroso declarou ter sido surpreendido pela decisão. A legislação americana impôs sanções financeiras ao ministro e a pessoas de seu círculo próximo.
“Eu acho que o país vai se pacificar progressivamente depois de acabarem os julgamentos de todos os grupos [da ação penal da trama golpista]. As feridas vão começar a cicatrizar”, avaliou. Segundo ele, a tendência é de que as tensões políticas arrefeçam com o tempo, embora tenha considerado o caso do “núcleo crucial” da suposta trama golpista – que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro – como emblemático.
Barroso também relatou um breve encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (25), durante a posse do novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.
De acordo com o ministro, Lula demonstrou otimismo em relação ao diálogo mantido com Donald Trump na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). “Conversei pouco mais de 30 segundos, muito brevemente, e o presidente me pareceu otimista. Otimista e cauteloso, mas me pareceu otimista, acho que sim. Talvez se tenha aberto uma janela de negociação”, comentou Barroso.