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    Psicóloga faz alerta público sobre a febre dos bebês reborns: ‘Sofrimento mental’

    A psicóloga Marisa Lobo, especialista em saúde mental e autora de obras sobre comportamento humano, emitiu um alerta público sobre o uso excessivo de bonecas reborn — artefatos hiper-realistas que simulam bebês —, classificando o fenômeno como “sinal de sofrimento psíquico não resolvido”.

    Em artigo divulgado nesta segunda-feira (23), ela destacou que o comportamento de alguns adultos, que tratam os objetos como filhos reais, pode indicar transtornos emocionais graves.

    Comportamentos Alarmantes

    Segundo Lobo, os casos mais preocupantes envolvem:

    1. Rotinas diárias com a boneca, incluindo alimentação, banho e passeios, como se fosse um bebê vivo;

    2. Crises emocionais intensas quando separadas do objeto;

    3. Exigência de reconhecimento social e jurídico do brinquedo como “filho”, inclusive por parte do Estado;

    4. Isolamento de vínculos humanos para dedicar-se exclusivamente à boneca;

    5. Resistência a intervenções, com afirmações de que “não há problema nenhum”.

    “Essas atitudes não podem ser romantizadas ou vistas como escolhas inofensivas. São pedidos de socorro disfarçados”, afirmou a psicóloga.

    Transtornos Associados

    Marisa Lobo relacionou o apego excessivo a possíveis diagnósticos clínicos, entre eles:

    • Transtorno do luto complicado: substituição de perdas reais, como a morte de um filho ou aborto, pela fantasia com a boneca;

    • Transtornos de apego: dificuldade em estabelecer relações humanas estáveis, direcionando afeto a objetos por medo de rejeição;

    • Traços de transtornos de personalidade, como dependência emocional e dificuldade em distinguir realidade e fantasia;

    • Casos graves: episódios dissociativos ou psicóticos, com delírios e negação da realidade.

    A psicóloga enfatizou que a solidão patológica e a depressão também podem estar associadas ao fenômeno, especialmente quando a boneca se torna a “única companhia segura”.

    Riscos da negligência

    Para Lobo, minimizar esses sinais é um erro. “Quando há isolamento, substituição da vida real por fantasia e rigidez emocional, estamos diante de um quadro que exige intervenção profissional”, explicou. Ela criticou a tendência de normalizar tais comportamentos, alertando que a “conivência com a fantasia pode agravar o sofrimento”.

    A psicóloga listou orientações para lidar com o tema das bonecas reborns:

    • Não normalizar vínculos que substituem relações humanas;

    • Oferecer acolhimento, mas propor ajuda profissional;

    • Evitar reforçar a fantasia como solução para a dor;

    • Encaminhar para terapia, destacando que buscar apoio “é ato de coragem, não fraqueza”.

    O mercado de bonecas reborn registrou crescimento de 35% nas vendas no Brasil entre 2021 e 2023, segundo a Associação Brasileira de Artesãos Reborn (ABAR). Enquanto isso, casos extremos ganham visibilidade, como o de uma mulher no Rio de Janeiro que exigiu atendimento médico para sua boneca em um hospital público — fato que motivou projetos de lei para coibir a prática.

    Marisa Lobo finalizou com um apelo: “Há vida além da fantasia. A cura começa quando reconhecemos a dor real e buscamos ajuda”. Ela reforçou a importância de abordar o tema com “responsabilidade, verdade e acesso a tratamentos adequados”.

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