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    Professora que defendeu ‘pedrada’ contra fuzis alega ameaças e já pede proteção

    A antropóloga e cientista política Jacqueline Muniz, professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), solicitou oficialmente sua inclusão no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos do governo federal.

    O pedido foi formalizado na segunda-feira, 3 de abril, por meio do gabinete do vereador carioca Leonel de Esquerda (PT), coordenador da Comissão de Favelas da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e dirigido ao Ministério dos Direitos Humanos.

    A solicitação de proteção ocorreu após a docente relatar ter sido alvo de ameaças em plataformas digitais. Em seu entendimento, essas ameaças foram incentivadas por deputados federais de oposição, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO).

    O episódio que gerou a reação contra a professora foi uma entrevista na qual ela comentou a Operação Contenção, realizada no dia 28 de março no Rio de Janeiro. A ação policial resultou em 121 óbitos, sendo quatro de agentes de segurança e os demais, de acordo com o governo estadual, identificados como integrantes do Comando Vermelho (CV).

    Durante a entrevista, ao discutir táticas de confronto, Jacqueline Muniz afirmou: “O criminoso tá com o fuzil na mão, ele é facilmente rendido por uma pistola, até por uma pedra na cabeça. Enquanto ele tá tentando levantar o fuzil e colocar o fuzil pra atirar, alguém joga uma pedra e já derrubou o sujeito”.

    Sobre a operação, a antropóloga declarou que a ação “não teve nenhum critério tático” e avaliou que “há três décadas a cidade usa a guerra contra o crime para ganhar a eleição”. Ela também caracterizou a intervenção como “marketing político, uma cloroquina para a segurança”, acrescentando que a medida “deve, sim, fortalecer o bolsonarismo para o próximo ano”.

    O programa de proteção ao qual a professora busca ingressar foi instituído em 2019 com a finalidade de oferecer medidas de segurança a indivíduos ameaçados em razão de seu trabalho na defesa de direitos humanos.

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