O jornalista Ricardo Noblat, em sua coluna no portal Metrópoles, analisou o vazamento das informações obtidas através da quebra de sigilo telefônico do banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do banco Master, investigado por um rombo de R$ 40 BILHÕES em seus cofres. Com tantas referências a nomes de peso da República, incluindo Alexandre de Moraes, Lula e vários políticos, ele opina que uma possível delação do banqueiro poderá implodir Brasília.
“Vorcaro só tem uma saída para não ser condenado a uma pena dura de prisão: negociar uma delação premiada com a Justiça. Contar tudo ou quase tudo que sabe. Será o bastante para derrubar metade da República, ou metade da metade da República”, analisa Noblat.
Mensagens
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, determinou em conversas por aplicativo de mensagens a execução de uma agressão física contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. As mensagens, obtidas pela Polícia Federal e reveladas nesta semana, fazem parte do acervo de provas que embasaram a terceira fase da Operação Compliance Zero.
Em diálogo com Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, identificado como “Sicário” e apontado como executor de ações violentas a serviço do banqueiro, Vorcaro ordenou que o colunista fosse seguido e agredido. “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, escreveu Vorcaro. Mourão respondeu: “Vou fazer isto”. Em seguida, o banqueiro foi mais explícito: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
As investidas criminosas não se limitaram ao jornalista. Em outra troca de mensagens, Vorcaro queixou-se de uma empregada identificada como Monique, que estaria supostamente o ameaçando. Ao ser questionado por Mourão sobre o que deveria ser feito, o banqueiro ordenou: “Tem que moer essa vagabunda”.
Em uma terceira sequência de diálogos, Vorcaro determinou que fossem levantadas informações sobre um ex-funcionário e um chefe de cozinha ligado a ele. O ex-empregado teria realizado uma gravação indesejada do banqueiro. “Seria bom dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, escreveu Vorcaro.
Prisões e Tentativa de Suicídio
Vorcaro foi preso na quarta-feira (4) em São Paulo por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mourão, também conhecido como “Sicário”, foi detido em Belo Horizonte. Segundo informações da Polícia Federal, Mourão tentou se enforcar na cela onde estava detido.
O banqueiro já cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica desde novembro do ano passado, quando tentou deixar o país com destino a um país do Oriente Médio. A nova prisão, de caráter preventivo, reduz as chances de nova soltura.
Conexões Políticas e Autoridades
O material extraído do celular de Vorcaro, apreendido em novembro, contém menções a encontros com autoridades da República. Em conversas com a namorada Martha Graeff, o banqueiro relatou dois supostos encontros com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em abril de 2025 .
“To indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”, escreveu Vorcaro em 19 de abril. Ao ser questionado por Martha se o ministro estava em Campos para vê-lo, respondeu: “Ele tá passando feriado” . Dez dias depois, em chamada de vídeo, a namorada perguntou quem era a primeira pessoa na gravação. Vorcaro respondeu: “Alexandre Moraes” .
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, firmou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master em janeiro de 2024, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões . O contrato previa atuação do escritório junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional .
Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, utilizaram helicóptero de Vorcaro. Em mensagens, o banqueiro refere-se a Ciro como um de seus “grandes amigos de vida”, especialmente após o senador apresentar emenda que beneficiou o Banco Master. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu Vorcaro a Martha.
O banco também patrocinou eventos no Brasil e no exterior que contaram com a participação de quatro ministros do STF (Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Luiz Fux), dois ministros aposentados (Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias .
Possibilidade de Delação
Diante do volume de provas reunidas e da gravidade das acusações, a principal alternativa de Vorcaro para reduzir uma possível pena é negociar um acordo de delação premiada com a Justiça. O conteúdo de seu celular, somado às demais investigações, poderá trazer novos desdobramentos para as apurações que envolvem o sistema financeiro e suas conexões com agentes públicos.