O ministro da Defesa, José Múcio, aproveitou o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio para reforçar a necessidade de incremento orçamentário nas Forças Armadas. Para o titular da pasta, o fortalecimento da área é indispensável à soberania nacional e não pode ser preterido frente a outras prioridades sociais.
Em declaração à imprensa nesta segunda-feira (2/3), após cerimônia de incorporação de mulheres ao serviço militar inicial feminino, Múcio afirmou que o Brasil monitora com atenção os desdobramentos do conflito desencadeado por ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Segundo ele, o país está apto a atuar, se necessário, na dissuasão e na defesa de suas riquezas.
“Assim como ocorreu na Venezuela, nesses países onde vislumbramos possibilidade de crise, estamos preparados. Não para agredir. As Forças Armadas brasileiras existem para dissuasão. Protegemos o nosso território. Quando defendo mais investimento em Defesa, é para resguardar o que somos, o que possuímos, as nossas abundantes riquezas”, declarou.
O ministro ressaltou que, embora a diplomacia continue sendo o principal instrumento da política externa brasileira, com a paz como objetivo permanente, é preciso estar pronto para um contexto internacional mais hostil. “Nós nos preparamos para tempos difíceis, mas torcemos sempre pela paz”, ponderou.
Investimento abaixo da média
José Múcio revelou que o Brasil aplica atualmente apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa, percentual que considera insuficiente. Ele defendeu que o país alcance ao menos 2% e observou que outras nações destinam entre 5% e 7% de seus PIBs ao setor.
O ministro afirmou ter levado a preocupação diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reconhecendo que áreas como saúde, educação e habitação são prioritárias, mas argumentando que a Defesa é igualmente estratégica para a manutenção da soberania.
Múcio informou que Lula concordou com a necessidade e já autorizou a liberação gradual de recursos para projetos estratégicos das Forças Armadas.
Posição oficial sobre o conflito
Em nota divulgada no sábado (28/2), o governo brasileiro condenou os ataques militares promovidos por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã e expressou “grave preocupação” com a escalada das hostilidades no Oriente Médio.
O Ministério das Relações Exteriores destacou que as ofensivas ocorreram em meio a negociações em curso entre as partes envolvidas e reiterou que o diálogo representa “o único caminho viável para a paz”. Os bombardeios, realizados de forma coordenada na manhã de sábado, atingiram território iraniano.
“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz o texto do Itamaraty.