O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal nesta terça-feira (30.set.2025), onde apresentou um detalhado diagnóstico sobre a situação orçamentária das Forças Armadas brasileiras.
“Vim fazer um gravíssimo alerta”, declarou o ministro aos parlamentares, iniciando sua exposição sobre os desafios enfrentados pelo setor de Defesa.
Em sua fala, Múcio afirmou que “o menor investimento em defesa da América do Sul é do Brasil” e detalhou consequências operacionais da escassez de recursos. “Não estamos investindo em equipamentos… Um percentual da nossa frota está parado”, disse, acrescentando que “não compramos armas porque não temos como pagar”.
O ministro realizou comparações com outros países da região, afirmando que “a Venezuela tem caças mais importantes e eficazes que os nossos”.
Os dados apresentados indicam que o Brasil investe aproximadamente 1% do seu Produto Interno Bruto em Defesa, posicionando-se abaixo da média global de 2,4% e de vizinhos como Colômbia (3,4%) e Chile (1,6%).
Programas estratégicos de longo prazo foram citados como exemplos dos impactos dos constrangimentos orçamentários. Sobre o programa de caças Gripen, iniciado há vinte anos, Múcio revelou que os juros pagos devido a atrasos nos pagamentos equivalem ao valor de seis aeronaves cargueiras KC-390.
O programa de submarinos também foi mencionado como afetado por similar situação, com juros que permitiriam a aquisição de duas unidades adicionais.
O ministro referiu-se à Proposta de Emenda à Constituição 55/2023, que estabelece patamar mínimo de 2% do PIB para o orçamento da Defesa, atualmente em tramitação no Congresso Nacional. A proposta é de autoria do senador Carlos Portinho (PL-RJ), que também protocolou nesta semana o Projeto de Lei Complementar 204/2025, visando liberar R$ 30 bilhões em investimentos para as Forças Armadas.
Segundo dados do Ministério da Defesa, o orçamento do setor sofreu redução de 15% na última década, com gastos em equipamentos, infraestrutura e pesquisa caindo 50% no período.
A audiência ocorreu em um contexto de discussão mais ampla sobre modernização das Forças Armadas e alocação de recursos para Defesa, temas que têm ganhado proeminência no debate público frente ao cenário geopolítico global.
Não houve manifestação da Presidência da República sobre as declarações do ministro durante a audiência no Senado.