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    EUA escala tensão e envia seu mais poderoso porta-aviões para a costa da Venezuela

    Washington, D.C. – O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira, 24, o envio do porta-aviões USS Gerald Ford e seu grupo de combate para águas da América Latina. A decisão, ordenada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, ocorre em um contexto de escalada militar na região, marcada por uma série de operações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas.

    De acordo com Sean Parnell, principal porta-voz do Pentágono, a presença do navio visa “reforçar a capacidade dos EUA de detectar, monitorar e interromper atividades e atores ilícitos”. A declaração foi feita através de suas redes sociais. Parnell não detalhou a data exata do deslocamento ou a posição final do USS Gerald Ford, atualmente em missão da Otan na costa da Croácia. Oficiais da Marinha informaram que a transição para a nova missão, designada pelo Comando Sul dos EUA, levará vários dias.

    A mobilização do USS Gerald Ford, o maior e mais avançado porta-aviões da Marinha norte-americana, representa um significativo aumento de poder militar em uma região que já registrava um contingente incomum de tropas dos EUA. Estima-se que mais de 10 mil soldados estejam atualmente na área do Caribe e América do Sul.

    Operações e Baixas

    As novas ordens foram emitidas horas após um anúncio do secretário Hegseth sobre a morte de seis pessoas em um barco suspeito de contrabandear drogas. Este foi o décimo ataque do gênero, elevando para aproximadamente 43 o número total de mortos nessas operações. Oito dos ataques ocorreram no Caribe e dois no Pacífico Oriental.

    Em uma publicação, Hegseth atribuiu a embarcação à gangue venezuelana Tren de Aragua, designada como organização terrorista pelo governo dos EUA. “Se você for um narcoterrorista contrabandeando drogas para o nosso hemisfério, nós o trataremos como tratamos a Al-Queda,” escreveu o secretário, que cometeu um erro ortográfico ao se referir ao grupo “Al-Qaeda”. A declaração foi acompanhada por um vídeo de 20 segundos que mostra a embarcação sendo destruída.

    Contexto Político e Legal

    A campanha militar tem foco particular na Venezuela e em seu presidente, Nicolás Maduro. O governo Trump classifica Maduro como ilegítimo e o acusa de chefiar um cartel de drogas. Maduro foi indiciado judicialmente nos Estados Unidos por tráfico.

    Especialistas jurídicos consultados pela reportagem questionam a legalidade das operações. Eles argumentam que a legislação americana e internacional proíbe ataques deliberados a civis não engajados diretamente em hostilidades, mesmo que sejam suspeitos de crimes. Tradicionalmente, o combate ao contrabando marítimo é feito pela Guarda Costeira, que realiza interceptações e prisões.

    O governo americano defende a legalidade das ações, afirmando que o tráfico de drogas por cartéis constitui um “ataque armado” aos Estados Unidos, o que, em sua interpretação, cria um estado de conflito armado. Sob essa lógica, as tripulações dos barcos são consideradas “combatentes”. No entanto, a administração não divulgou publicamente uma teoria jurídica detalhada que sustente essa posição.

    Reações Internacionais e Designações

    O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, contestou publicamente a narrativa dos EUA, afirmando que uma das vítimas de um ataque em 15 de setembro era um pescador colombiano e acusando os Estados Unidos de assassinato. Como consequência, o governo americano impôs sanções a Petro.

    Desde seu retorno ao poder em janeiro, a administração Trump designou várias organizações criminosas latino-americanas, incluindo o Tren de Aragua, como organizações terroristas. Esta designação permite o congelamento de ativos e criminaliza o apoio ao grupo, mas, de acordo com analistas, não autoriza legalmente a execução sumária de suspeitos.

    A mobilização do USS Gerald Ford, com seus 5.000 marinheiros e mais de 75 aeronaves, sinaliza uma reorientação das prioridades de segurança nacional dos EUA para o Hemisfério Ocidental sob a atual administração.

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