Mais

    Em meio a cerco de Trump à Venezuela, Brasil desloca tropas em maior operação militar da história

    O Ministério da Defesa mobiliza um contingente de dez mil militares das Forças Armadas para a Operação Atlas, a maior operação militar já realizada pela pasta em termos de escala e logística. O deslocamento estratégico abrange uma extensa área da Região Norte, do Amapá a Roraima, e incorpora sistemas de armas e veículos blindados que nunca haviam sido empregados em ambiente amazônico.

    Entre o material deslocado estão o sistema de foguetes Astros, os carros de combate Leopard 1A5, os veículos blindados Guarani e Cascavel, os mísseis anticarro MAX 1.2 AC, além de embarcações da Marinha, incluindo o Navio-Aeródromo Multipropósito “Atlântico” e o submarino “Humaitá”. A Força Aérea Brasileira participa com aeronaves de caça A-1M e helicópteros de ataque e transporte.

    O efetivo de dez mil militares equivale ao primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira enviado à Itália durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, que contava com aproximadamente cinco mil homens. A operação ocorre às vésperas da COP-30, a conferência do clima da ONU que será sediada em Belém, no Pará, em 2025.

    Contexto Regional e Medidas Dissuasórias

    A mobilização acontece em um momento de aumento da tensão na fronteira norte do Brasil. Desde novembro de 2023, quando o governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, reativou reivindicações históricas sobre a região de Essequibo, na Guiana, o Brasil iniciou um gradual reforço de sua presença militar em Roraima.

    Essas medidas incluíram a criação do 18º Regimento de Cavalaria Mecanizada (18.º RCMec) em Boa Vista e o envio de mísseis anticarro MAX 1.2 AC para a 1ª Brigada de Infantaria de Selva. A Operação Atlas representa uma escalada significativa nessas ações de dissuasão.

    Objetivos Oficiais e Fases da Operação

    De acordo com nota oficial do Ministério da Defesa, a Operação Atlas tem como finalidade principal “coletar subsídios para o aperfeiçoamento do Sistema de Planejamento de Emprego Conjunto das Forças Armadas (SisPECFA)”. A pasta informou que o exercício visa identificar obstáculos no planejamento e na execução de deslocamentos estratégicos, além de adestrar as tropas em ambiente operacional de selva.

    Iniciada em agosto de 2024, a operação já passou por uma fase de exercícios em Goiás, envolvendo o Corpo de Fuzileiros Navais. No dia 23 de setembro, três aeronaves de caça A-1M do Esquadrão Poker deslocaram-se da Base Aérea de Santa Maria (RS) para Boa Vista (RR), com a missão de treinar o apoio aéreo a fogo.

    A fase decisiva da operação está programada para ocorrer entre 3 e 9 de outubro em Roraima, sob coordenação do Comando Militar da Amazônia. Nesta etapa, está previsto o disparo de foguetes pelo sistema Astros, em um exercício que o Exército classificou como a “aplicação da doutrina vigente em condições desafiadoras de terreno, clima e logística”.

    Interoperabilidade e Estrutura de Comando

    A operação testará a interoperabilidade entre diversos ramos das Forças Armadas. Participam efetivos da Brigada Aeromóvel, da Brigada Paraquedista, de cinco Brigadas de Infantaria de Selva (1.ª, 2.ª, 16.ª, 17.ª e 23.ª), além de unidades especializadas em Guerra Eletrônica e Defesa Química, Bacteriológica, Radiológica e Nuclear.

    O Comando de Operações Terrestres (Coter) e o Comando Logístico (Colog) são responsáveis pela coordenação estratégica. Na fase naval, o contra-almirante Antonio Braz de Souza, Comandante da 1.ª Divisão da Esquadra, assumiu o comando da força tarefa, que já transportou 1.357 militares e diversos equipamentos para a região da Foz do Rio Amazonas.

    Leia também:

    GRAVE: Malu Gaspar critica Toffoli e vê tentativa de intimidação sobre o Banco Central

    Em análise veiculada no programa Edição das 18h da GloboNews, a...

    Alvo da PF em caso do INSS, senador é relator do indicado de Lula para o STF

    O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no...

    Posts da semana