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    Delegado da PF ligado a inquérito que condenou Bolsonaro é nomeado assessor de Moraes

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, assinou na segunda-feira (9) a nomeação do delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar como assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (10) .

    Especialista em contrainteligência, Shor chefiou a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF e teve papel central nos principais inquéritos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi responsável por assinar, ao lado de uma delegada da PF, o indiciamento do ex-presidente e de outras 36 pessoas na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado — caso que resultou na condenação de Bolsonaro pelo STF a 27 anos e três meses de prisão .

    Como delegado, Shor também conduziu os depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, no âmbito do acordo de colaboração premiada firmado pelo militar com a Polícia Federal . Sua atuação se estendeu ainda ao inquérito dos atos golpistas de 8 de janeiro, à investigação da fraude no cartão de vacinação do ex-presidente e ao escândalo das joias sauditas .

    A equipe liderada por Shor foi responsável por identificar que Moraes era monitorado por golpistas com o objetivo de assassiná-lo, informação que compôs o material reunido nos inquéritos conduzidos pelo Supremo .

    Atuação Polêmica e Ataques da Oposição

    A atuação do delegado o transformou em alvo frequente de ataques de figuras da direita. Em transmissão ao vivo em julho de 2025, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro insinuou que Shor poderia ser alvo de sanções dos Estados Unidos por causa das investigações que conduzia .

    O senador Marcos do Val (Podemos-ES) também publicou críticas contra Shor, chamando-o de “capataz” de Moraes e afirmando que o delegado “tem invadido residências com mandados de busca e apreensão ilegais, apontando armas na cara de crianças”. Do Val ainda publicou a foto do delegado em uma montagem com título “procura-se” .

    O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) tornou-se alvo de investigação do STF após chamar Shor de “abusador de autoridade” em discurso na Câmara . O delegado também foi acusado por advogados que atuaram no julgamento do golpe de Estado, especialmente Jeffrey Chiquini, de ter produzido relatórios com informações falsas sobre o ex-assessor da Presidência Filipe Martins .

    Relação com o Caso Master

    A ida de Shor para o gabinete de Moraes ocorre em um momento no qual o ministro está em evidência em razão de reportagens sobre sua suposta relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master .

    O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, foi contratado por Vorcaro para prestar serviços jurídicos. De acordo com nota divulgada pela secretaria de comunicação do STF, o escritório foi contratado no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 pelo cliente Banco Master, “para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica” .

    No gabinete de Moraes, o delegado vai assessorar o ministro em ações criminais a serem julgadas pelo magistrado na Suprema Corte, incluindo inquéritos sob sua relatoria.

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