Em discurso proferido no Parlamento Europeu nesta terça-feira (3), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) alertou sobre supostos casos de perseguição política e censura ocorridos no Brasil nos últimos anos.
“Sociedades livres compreenderam uma verdade essencial: o poder precisa ser supervisionado, contestado e permanentemente questionado. Isso só se concretiza com liberdade, em especial a de expressão. A liberdade não é uma concessão estatal, nem depende de permissões burocráticas”, afirmou.
O parlamentar ressaltou o papel central da liberdade de expressão: “Entre todas as liberdades, ela é a base que sustenta as demais. Como disse George Washington, quando nos tiram esse direito, somos conduzidos em silêncio como ovelhas ao matadouro”.
Nikolas observou que esse processo opressivo não costuma ser abrupto, mas gradual e quase imperceptível, “quando o medo vai substituindo a coragem”.
Ele enalteceu a função fiscalizadora do Legislativo e a representatividade dos parlamentares: “A liberdade de um parlamentar para falar, perguntar, criticar e denunciar precisa ser absoluta. Quando silenciam um parlamentar, não calam apenas um indivíduo, mas toda a base que ele representa”.
Relatos de perseguição
Ao defender a internet como ambiente de livre debate, o deputado citou episódios que classificou como perseguição política. “Pouco depois das eleições de 2022, minhas redes sociais foram suspensas por eu ter solicitado à Justiça Eleitoral uma apuração sobre alegações relacionadas ao sistema de votação eletrônica. Não afirmei haver fraude, nem incitei violência. Apenas pedi uma investigação. Mesmo assim, fui censurado. Ficou claro que o problema não era o conteúdo, mas o simples ato de questionar”.
Em seguida, mencionou o caso em que o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, o acusou de disseminar “fake news” após Nikolas denunciar a intenção do governo de implementar banheiros unissex em espaços públicos, incluindo escolas. “A medida constava explicitamente de uma resolução pública de um conselho federal”, explicou. “Pouco depois, acusações de assédio contra uma ministra acabaram por levar à exoneração do próprio ministro.”
O deputado também recordou ter sido interrogado pela Polícia Federal após chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão”. Igualmente mencionou a polêmica sobre o Pix, quando foi acusado de espalhar desinformação ao alertar sobre a possibilidade de monitoramento das transações — hipótese que, segundo ele, depois se confirmou.
Em todos esses episódios, Nikolas destacou o papel das redes sociais como meio de contrapor narrativas oficiais.
Ao finalizar, defendeu pautas conservadoras e afirmou: “A Europa precisa reivindicar um nome acima de todos, que é Jesus, pois a esquerda treme ao ouvi-lo”.