O Exército Brasileiro estabelecerá na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, a sua primeira unidade operacional equipada com mísseis de defesa antiaérea de média altitude. O novo sistema, com capacidade para interceptar aeronaves e mísseis a até 15 mil metros de altitude e a uma distância de 40 quilômetros, representará um salto tecnológico para a força. Até o momento, o país opera apenas sistemas de baixa altitude, com alcance máximo limitado a 5 mil metros.
A unidade responsável pela operação será o 12º Grupo de Artilharia Antiaérea (12º GAAAe), resultado da transformação do antigo 12º Grupo de Artilharia de Campanha, formalizada em julho. A previsão é que os novos mísseis de médio alcance sejam integrados à unidade no médio prazo, conforme o cronograma de modernização do Exército.
Essa modernização ocorre em um contexto global de renovação de doutrinas militares, onde potências mundiais têm investido fortemente na atualização de seus sistemas de defesa para enfrentar ameaças contemporâneas. A aquisição preenche uma lacuna estratégica, ampliando significativamente a capacidade de proteção do espaço aéreo nacional.
Transição e Estratégia de Implementação
Inicialmente, para manter a operacionalidade, o 12º GAAAe receberá sistemas de defesa de baixa altura transferidos do 2º Grupo de Artilharia Antiaérea, sediado em Praia Grande (SP). Os mísseis de médio alcance serão incorporados subsequentemente.
A seleção de Jundiaí para abrigar a nova unidade considerou suas vantagens logísticas e estratégicas. A cidade oferece acesso privilegiado a rodovias, aeroportos de grande porte, como Viracopos e Guarulhos, e aos portos de Santos e do Rio de Janeiro. Essa infraestrutura facilita o deslocamento rápido de pessoal e equipamento para diversas regiões do país.
Com a ativação do 12º GAAAe, o Comando de Defesa Antiaérea do Exército, localizado em Guarujá (SP), passa a contar com sete grupos especializados na proteção de pontos sensíveis e na defesa do espaço aéreo brasileiro. Estudos indicam a possível expansão do sistema para outras regiões consideradas estratégicas no território nacional.
Inserção no Programa “Força 40”
A criação da nova unidade está alinhada com o programa “Força 40”, iniciativa de longo prazo do Exército Brasileiro que visa modernizar sua estrutura e doutrina para os desafios previstos até o ano de 2040. O programa estabelece avanços em quatro dimensões principais: doutrina, pessoal, capacidades e estratégia.
Entre os objetivos do “Força 40” está a incorporação de sistemas integrados de defesa antiaérea, antimíssil e contra drones, além da adoção de conceitos operacionais modernos, como operações multidomínio e estratégias de antiacesso e negação de área (A2/AD).
Aquisição de Equipamentos
O Exército Brasileiro ainda não possui os sistemas de média altura em seu arsenal. O Estado-Maior da instituição realiza estudos técnicos para avaliar equipamentos disponíveis no mercado internacional, seguindo os requisitos operacionais definidos em documento interno de 2024.
A implementação desta capacidade visa garantir a segurança de infraestruturas críticas, como bases aéreas, instalações estratégicas e esquadras navais, exercendo também um papel dissuasório contra potenciais ameaças. A medida consolida diretrizes dos planos estratégicos do Exército para o período 2024-2027, com foco no fortalecimento da capacidade de dissuasão e pronta-resposta.